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Setembro Amarelo: repensando os impactos da saúde mental

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Tempo de leitura: 4 minutos

Setembro tem cor, e é o amarelo. Neste mês, o debate sobre psicopatologias e a saúde mental retomam força e a tônica é a prevenção do suicídio. Um tabu entre profissionais de saúde, mesmo entre os de saúde mental. Um tabu entre a sociedade. Ainda não aprendemos a lidar com essa forma peculiar de adoecer, e esse é o tempo de discutir sobre isso.

Nós aqui do portal preparamos para você um conteúdo mais do que especial. O que você, em qualquer estágio de formação, precisa saber sobre saúde mental e o que em cada grande área do conhecimento médico guarda relações com a saúde mental você encontrará aqui esse mês.

O que é saúde mental?

Já é um clichê médico utilizar as definições de bem-estar biopsicossocial e espiritual (e até financeiro) para definir saúde. Isso se aplica de maneira algo diferente para a saúde mental. Saúde mental pode ser definida, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), como um bem-estar integral em que um indivíduo encontre-se pleno de suas capacidade para manter-se ativo e participativo em sua comunidade. Isso mesmo, o conceito de saúde mental perpassa a capacidade do indivíduo atuar bem no meio em que está inserido. Se saúde já não era sinônimo de ausência de doença, na saúde mental isso ainda ganha um reforçador extra: funcionalidade e percepção de bem-estar.

Essa questão tem fronteira com algo extremamente atual: abordagens centradas na pessoa. Explico-me. Embora o conceito de saúde mental seja universal, a experiência é única e individual sempre. Manter-se funcional vai muito além de não estar em contexto de doença. Do ponto de vista orgânico, indivíduos doentes podem possuir saúde mental melhor do que indivíduos em ausência de doença.

Essas fronteiras que constroem situações paradoxais acabam nos levando à compartilhar conceitos que estão no mesmo campo de conhecimento. Assim, saúde mental torna-se elemento fundamental da percepção de qualidade de vida. Além disso é construção grande da percepção de felicidade, enfrentamento e resiliência de um indivíduo.

Saúde mental e implicações práticas

Afastando-se brevemente do campo teórico, as implicações práticas desses conceitos guardam relação direta com nossa área de atuação cotidiana. Todo profissional de saúde, e especialmente o profissional médico, vai se deparar com situações que são consequências dessa forma peculiar de avaliar a saúde.

Embora 50% da percepção de felicidade de um indivíduo seja programada geneticamente, como mostram estudos clássicos com gêmeos, 50% sofre influência direta do contexto de vida em que um indivíduo está inserido. Por outro lado, a influência do contexto é maior para outras condições de saúde a que somos chamados a atuar. Essas influências acabam gerando consequências para a qualidade de vida do indivíduo e sua percepção de felicidade. Ainda muito abstrato? De modo objetivo: isso por sua vez muda os desfechos em saúde relatados pelo paciente, e de modo mais objetivo ainda os desfechos mensuráveis, como a mortalidade.

Os impactos em números

Os impactos que problemas de saúde relacionados à saúde mental causam geram repercussões múltiplas em diversas esferas e cenários. De uma maneira análoga, se saúde mental implica em plenitude para atuar no meio em que vive o indivíduo, com distúrbios de saúde mental implicam em afetar esse mesmo meio.

A mortalidade em relação aos transtornos mentais não se dá somente atrelada ao suicídio. Transtornos mentais são responsáveis por aumentos dos níveis de moralidade geral. Indivíduos com diagnósticos de saúde mental morrem mais que a população em geral. Isso acontece de maneira relacionada a causas múltiplas de mortalidade (cardiovasculares, respiratórias, oncológicas, etc.). Ou seja, um diagnóstico de transtorno mental implica em morrer mais, e não necessariamente de causas relacionadas a psicopatologia.

Além disso, há ainda implicações que impactam na produtividade do indivíduo e em sua interação com o meio em que vive. De modo geral 8,1% dos anos de vida perdidos por doença (ou seja, um tempo em que o indivíduo estaria produtivo mas perde funcionalidade) são atribuídos à problemas de saúde mental, 9% são atribuídos aos problemas respiratórios, 5,8% às doenças oncológicas e menos de 5% às doenças cardiovasculares. Quando se faz o cálculo dos anos perdidos ajustados por incapacidade, 12% são atribuídos aos problemas de saúde mental.

O impacto disso também gera repercussões econômicas diretas e indiretas. Não só pelo aspecto da mortalidade, mas pelo absenteísmo no trabalho e diminuição da capacidade de produzir. No Brasil, um estudo multicêntrico estimou a prevalência de depressão em 18% entre adultos em idade produtiva ao longo da vida e aproximadamente 5% nos últimos 12 meses. O impacto que isso causa é da ordem de bilhões.

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Como a saúde mental do paciente muda a minha prática?

Saúde mental é algo que vai além do escopo de atuação do psiquiatra. Todo profissional de saúde será impactado por aspectos dos mais variados. Desde sintomas inespecíficos, razões diversas de não adesão ao tratamento, complicações clínicas e cirúrgicas, entre outros. Além disso, o pico de incidência da maioria dos adoecimentos dessa ordem ocorre na fase de adulto jovem, ou seja, fatalmente muitos adoecerão de outras coisas ao longo da vida. Mesmo os pacientes com transtornos graves necessitarão de cuidados clínicos de outras áreas médicas.

Dessa forma conhecer minimamente os adoecimentos em saúde mental, levar em conta que ainda que não haja transtorno possa haver sintomas e estar aberto à fornecer o principal instrumento diagnóstico para esses problemas, a escuta, é um primeiro passo para se começar a construir melhores práticas médicas que modifiquem esses números. Nesse setembro amarelo, além dos cuidados com prevenção dos desfechos duros, em psiquiatria muito associados ao suicídio, vamos pensar sobre a possibilidade de enxergarmos a saúde mental não como área de atuação do psiquiatra, mas atuação de todos nós.

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Autor:

Referências bibliográficas:

  • Kaplan HI, Sadock BJ. Comprehensive textbook of psychiatry, Vols. 1-2. Williams & Wilkins Co, 1989;
  • Thornicroft G, Tansella M. Boas práticas em saúde mental comunitária. In: Boas práticas em saúde mental comunitária. 2010.

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