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Sífilis: aumento mais de 4.000% dos casos no Brasil

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Pesquisas mostram que o uso dos preservativos sexuais vem caindo ao longo dos anos, especialmente entre os jovens. As consequências da rejeição ao preservativo já são notadas pelas autoridades de saúde brasileiras. Segundo o último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, entre 2010 e 2018, houve um aumento de 4.157% nos casos de sífilis no país.

Apenas em 2018, foram registrados mais de 246 mil casos entre sífilis adquirida, em gestantes e congênitas. Em relação às mortes, foram 241 – todas devido à sífilis congênita, que ocorre quando a mãe transmite a doença para a criança durante a gestação.

Em comparação com 2017, esses números representam um aumento de 25,7% nos casos em gestantes, 28,3% na adquirida e 5,2% na congênita.

Sífilis no mundo

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), diariamente ocorrem 1 milhão de novas infecções em todo o mundo. Os dados são preocupantes já que a presença de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) aumenta em até 18 vezes o risco de um indivíduo ser infectado pelo HIV.

Para os especialistas, a queda no uso dos preservativos vem da ausência de campanhas de prevenção aliada a uma geração que não conviveu com o retrato da AIDS da década de 1980 e, por causa disso, subestima o valor da prevenção. Com o objetivo de mudar essa realidade, o Ministério da Saúde lançou uma campanha contra ISTs.

Leia também: Saiba como fazer acompanhamento da sífilis adquirida

“Acredito que muitos jovens brasileiros pensam que as ISTs são doenças distantes de sua realidade. Seja por desinformação em relação às formas de contágio, por não considerarem a gravidade potencial das infecções ou por não terem a adequada percepção de risco, acabam não tomando os devidos cuidados para prevenção dessas infecções. O uso abusivo de álcool e outras drogas também é um fator que contribui para a disseminação de ISTs, pois indivíduos sob a influência dessas substâncias mais frequentemente se engajam em comportamentos e exposições de risco”, analisa a infectologista Isabel Cristina Melo Mendes, residente no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e colunista da PEBMED.

A especialista também alerta para as graves consequências das infecções sexualmente transmissíveis. “Embora atualmente disponhamos de tratamentos eficientes para a maior parte das ISTs, é preciso lembrar que essas são doenças potencialmente graves e que podem trazer prejuízos a longo prazo. A sífilis, por exemplo, é uma causa importante de anomalias congênitas e aborto espontâneo, além de poder causar alterações neurológicas. A Neisseria gonorrhoeae, a bactéria causadora da gonorreia, que apresenta, de forma cada vez mais frequente em todo o mundo, padrões de resistência a múltiplas drogas, tornando o seu tratamento mais difícil”, ressalta Isabel Mendes.

A doença

A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum, enfermidade infecciosa de contato que pode ser transmitida por relação sexual sem camisinha e por transfusão de sangue, além de mãe para feto durante a gestação.

Os sinais e sintomas variam de acordo com o estágio da doença. A infecção primária começa geralmente com úlcera única, rasa e com fundo limpo no local de inoculação, geralmente pênis ou vagina, mas também em orofaringe e região perianal, de dez a 90 dias depois do contágio. Como a úlcera é indolor e autolimitada, desaparecendo independente de tratamento, é comum passar despercebida ou não levar o indivíduo a procurar atendimento médico.

Após a resolução da úlcera, a enfermidade evolui para a sua fase secundária. Nesse estágio, pode ocorrer o desenvolvimento de manchas indolores e não pruriginosas em palmas das mãos e plantas dos pés. “Febre, linfonodomegalias, presença de rash cutâneo, cefaleia e mialgia também podem se desenvolver nessa fase. Alopecia e madarose são outros sinais de sífilis secundária. Mais raramente, pessoas infectadas podem desenvolver alterações neurológicas, como uveíte, sinais meníngeos ou alterações auditivas ou vestibulares, ou comprometimento hepático”, explica a infectologista.

Segundo Isabel Mendes, uma grande preocupação é a sífilis congênita, que afeta recém-nascidos de mães infectadas. Essas crianças afetadas podem apresentar hepatomegalia, lesões cutâneas ou de mucosa, pseudoparalisia dos membros devido a periostite, osteíte ou pericondrite, rinite serossanguinolenta, entre outros.

Algumas crianças afetadas podem apresentar sintomas somente em fases mais tardias, após o segundo ano de vida, como alterações ósseas e dentárias (tíbia em lâmina de sabre, fronte olímpica, nariz em sela, molares de amora, deformidade em dentes incisivos superiores, arco palatino elevado e mandíbula curta), ceratite intersticial, surdez neurológica e dificuldade de aprendizado.

Sífilis: diagnóstico

Alguns sinais e sintomas devem sempre levar à suspeita de sífilis. Assim, diante do desenvolvimento de rash cutâneo não pruriginoso, principalmente em palmas e plantas, ou da presença de lesões ulceradas em regiões genitais ou orofaringe, sífilis deve ser pesquisada. Contudo, como as manifestações da doença podem ser variadas e afetar diversos sistemas ou podem não ser notadas, o médico deve permanecer com um alto grau de suspeição em relação a esse diagnóstico.

“Os testes diagnósticos são divididos em testes treponêmicos e não treponêmicos Enquanto os primeiros são considerados confirmatórios e permanecem positivos por toda a vida, os últimos podem ser utilizados como exames de controle. Idealmente, o diagnóstico de sífilis deve ser realizado com a positividade de um treponêmico e de um não treponêmico, mas algumas situações autorizam o tratamento com somente um teste não treponêmico positivo, como é o caso de gestantes. Os testes treponêmicos mais comumente disponíveis são os testes rápidos e FTA-Abs. Os não treponêmicos mais comuns incluem VDRL e RPR”, explica a infectologista.

Tratamento

Quando não tratada, a sífilis pode causar um grande comprometimento orgânico, no que é conhecido como sífilis terciária, com desenvolvimento de aortite, aneurismas, paralisia de pares de nervos cranianos, alterações de marcha, demência ou destruição tecidual de pele, mucosas ou ossos.

“A penicilina é considerada o padrão-ouro de tratamento de sífilis em todas as suas formas e estágios. Para os casos de sífilis primária, secundária ou latente recente, o tratamento preconizado é com penicilina benzatina 2.400.000 UI, IM, em dose única. Já para os quadros de sífilis latente tardia, terciária ou de duração desconhecida, recomenda-se três doses de penicilina benzatina na mesma dose, com uma semana de intervalo entre cada dose. Para os casos de comprometimento neurológico, o tratamento deve ser realizado com penicilina cristalina, na dose de 18-24 milhões UI/dia, IV, por 14 dias”, indica a especialista.

Ainda de acordo com a colunista da PEBMED, o uso de ceftriaxona na dose de 2 g/dia é a principal opção terapêutica quando penicilina não está disponível ou é contraindicada. Entretanto, para as gestantes, o tratamento somente é considerado adequado quando realizado com penicilina nas doses e intervalos corretos, devidamente documentados.

“A avaliação cuidadosa de como o tratamento foi realizado é importante, pois afeta o acompanhamento do recém-nascido. Em gestantes com alergia à penicilina, deve-se considerar a realização de protocolos de dessensibilização em ambientes com estrutura adequada”, frisa a médica.

Orientações ao paciente

O uso de preservativos é o método principal para evitar a transmissão de ISTs. Os médicos devem orientar os seus pacientes sobre o uso do preservativo em todas as relações sexuais, incluindo sexo oral e anal, além de procurar atendimento para avaliação em caso de exposições sem proteção.

“Por ser um assunto que envolve a intimidade do indivíduo e que, muitas vezes é tratado como tabu, a construção de uma relação médico-paciente de confiança é essencial para que aspectos de prevenção sejam discutidos de forma efetiva. Sempre oriente aos seus pacientes a procurar um serviço de testagem no SUS em caso de suspeita da doença.

Os resultados dos exames, geralmente, levam até 30 minutos para ficarem prontos. Vale lembrar que os parceiros sexuais também devem realizar o teste”, enfatiza a infectologista Isabel Mendes.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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