Síndrome mielodisplásica com deleção de 5q

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As síndromes mielodisplásicas (SMD) correspondem a um grupo heterogêneo de desordens hematológicas caracterizadas por hematopoiese ineficaz e displásica. A incidência é maior em idades mais avançadas e no sexo masculino. Seu tratamento visa o controle dos sintomas e a consequente melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Além das medidas de suporte, os agentes hipometilantes são o pilar do manejo dos portadores de SMD.

Leia também: Como fazer o manejo da síndrome mielodisplásica?

Exames de sangue de pacientes com síndromes mielodisplásicas

A síndrome 5q- é um subtipo de SMD descrito há mais de 40 anos, que apresenta características peculiares:

  • Epidemiologia: Há predomínio em indivíduos do sexo feminino.
  • Quadro clínico-laboratorial: O grande marco é a anemia progressiva e refratária, e quase a totalidade dos pacientes requer suporte transfusional durante a evolução da condição. A plaquetometria pode ser normal ou elevada. O estudo de medula óssea costuma revelar hipoplasia eritroide e megacariócitos hipolobulados em número normal ou aumentado. 
  • Complicações: O risco de progressão para leucemia mieloide aguda é maior nos casos de dependência transfusional.
  • Manejo: O tratamento varia de acordo com o risco de progressão, porém as medidas de suporte (como hemotransfusão) são importantes para todos os pacientes. Quando o risco é considerado baixo, o uso de fator estimulador da eritropoiese (eritropoietina) pode ser benéfico. Lenalidomida está indicada para pacientes altamente dependentes de transfusão. O imunomodulador é capaz de suprimir as células clonais, e esse efeito talvez possa mudar a história natural da doença: estudo de Pierre Fenaux et al demonstrou uma menor taxa de progressão para leucemia aguda nos participantes expostos à medicação, quando comparados ao grupo placebo. Os achados da publicação de Alan List et al corroboraram tal evidência: a sobrevida global mediana e o tempo para progressão de doença foram maiores entre os indivíduos que alcançaram independência transfusional.

Observações

Importante ressaltar que, apesar da del(5q) ser encontrada em aproximadamente de 20% dos casos de síndromes mielodisplásicas, apenas cerca de 5% são classificados como SMD com del(5q) isolada. No restante dos casos, são evidenciados excesso de blastos na medula óssea e/ou outras anormalidades citogenéticas, que impactam negativamente no prognóstico. Nessas situações, observam-se menor taxa de independência transfusional e maior risco de evolução para leucemia aguda, mesmo com o uso de lenalidomida.

Saiba mais: Covid-19 em imunossuprimidos — parte III: como a doença age em pacientes hematológicos?

Outros fatores que podem afetar a resposta ao tratamento com a droga incluem trombocitopenia ao diagnóstico e presença de mutação TP53. Esses pacientes, considerados como de alto risco, devem ser avaliados quanto à possibilidade de transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas.

Indivíduos que evoluem para leucemia mieloide aguda são manejados de acordo com o protocolo para leucemia, mas costumam apresentar resposta inferior ao tratamento quando comparados aos demais pacientes.

Autor(a): 

Referências bibliográficas:

  • List, Alan, Benjamin L. Ebert, and Pierre Fenaux. “A decade of progress in myelodysplastic syndrome with chromosome 5q deletion.” Leukemia. 2018;32(7):1493-1499.
  • Fenaux P, Giagounidis A, Selleslag D, Beyne-Rauzy O, Mufti G, Mittelman M, et al. A randomized phase 3 study of lenalidomide versus placebo in RBC transfusion dependent patients with Low-/Intermediate-1-risk myelodysplastic syndromes with del5q. Blood. 2011;118(14):3765–3776. doi: 10.1182/blood-2011-01-330126
  • List AF, Bennett JM, Sekeres MA, Skikne B, Fu T, Shammo JM, et al. Extended survival and reduced risk of AML progression in erythroid-responsive lenalidomide treated patients with lower-risk del(5q) MDS. Leukemia. 2014;28(5):1033-1040.
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