Sobrecarga de volume em pacientes pediátricos com SDRA leva a aumento dos desfechos desfavoráveis?

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A sobrecarga hídrica é uma situação comum em pacientes pediátricos graves e tem sido assunto de muita discussão na literatura. Vários estudos têm demonstrado que a sobrecarga de volume nesses pacientes está associada a desfechos desfavoráveis, com aumento da morbimortalidade nessa população. Em pacientes com síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) pediátrico, a sobrecarga hídrica está associada a maior tempo de ventilação mecânica e aumento na mortalidade. Nesses pacientes, uma sobrecarga hídrica cumulativa maior ou igual a 5% em 24 horas também tem sido associada a insuficiência renal aguda.

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A maioria dos estudos em pacientes com SDRA pediátrico avalia a sobrecarga hídrica na fase aguda, ou seja, até 7 dias. Porém, um estudo publicado na revista Pediatric pulmonoly avaliou dados clínicos e hídricos em pacientes com SDRA pediátrica por 14 dias, levando a um melhor entendimento sobre a atuação da sobrecarga de volume nesses pacientes.

A sobrecarga de volume em pacientes pediátricos com SDRA leva a um aumento dos desfechos desfavoráveis

Metodologia da análise

O estudo, de caráter retrospectivo observacional, avaliou prontuários de 165 pacientes hospitalizados com SDRA pediátrica num hospital terciário em Singapura, no período de fevereiro de 2009 a outubro de 2015. Foram coletados dados relativos a informações clínicas, como informações basais dos pacientes, dados da SDRA pediátrica no diagnóstico, suporte ventilatório, tratamento auxiliares, como utilização de óxido nítrico e posição prona, dados relacionados ao balanço hídrico diário e avaliação da função renal. O desfecho primário avaliado foi a mortalidade na UTI pediátrica (UTIP) e os desfechos secundários foram os dias livres de ventilação e os dias livres de UTIP (em 28 dias).

O artigo realizou análises a partir do pico cumulativo de sobrecarga de volume e da taxa do pico cumulativo de sobrecarga de volume. O pico cumulativo de sobrecarga de volume foi definido como o maior balanço hídrico cumulativo alcançado pelo paciente durante o período de estudo. Já a taxa de pico cumulativo de sobrecarga de volume foi definida como o pico cumulativo de sobrecarga de volume dividido pelo número de dias que o paciente levou para alcançar esse máximo (por exemplo, se o paciente apresentou um pico cumulativo de sobrecarga de volume de 40% no dia 10, ele apresentou uma taxa de pico cumulativo de sobrecarga de volume de 4% por dia).

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Os resultados do estudo sugerem que a taxa de pico cumulativo de sobrecarga de volume esteve independentemente associada com a mortalidade, enquanto o pico cumulativo de sobrecarga de volume esteve independentemente associado com redução dos dias livres de ventilação e da UTIP, mesmo quando controlados por fatores como a gravidade do paciente ou da SDRA. Ou seja, a sobrecarga hídrica, mesmo em períodos além do período inicial da SDRA pediátrica, está associada a piores desfechos nesses pacientes.

O estudo também observou que 38,8% dos pacientes envolvidos evoluiu com insuficiência renal aguda e esses apresentaram maiores índices de sobrecarga de volume dentro da amostra, além de aumento da mortalidade e redução dos dias livres de ventilação e de UTIP.

Conclusão

Dessa forma, esse estudo contribui para somar à literatura com relação às evidências sobre a piora do prognóstico em pacientes com sobrecarga de volume. Os profissionais envolvidos nos cuidados de pacientes pediátricos graves devem, portanto, avaliar diariamente o balanço hídrico desses pacientes e tentar minimizar a sobrecarga de volume. A avaliação continuada da função renal e prevenção da insuficiência renal aguda também são fundamentais para prevenção de desfechos ruins e piora da sobrecarga hídrica.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Leow EH, et al. Fluid overload in children with pediatric acute respiratory distress syndrome: A retrospective cohort study. Pediatric pulmonology, 2021. doi: org/10.1002/ppul.25720.
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