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Vacinas causam autismo? Veja os resultados do mais amplo estudo sobre o tema

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Estamos vivendo tempos difíceis para a saúde em âmbito global. Enfermidades que já tinham sido erradicadas graças às vacinas, agora ressurgem. O Brasil, que recebeu em 2016 um certificado da ONU (Organizações das Nações Unidas) pela eliminação do sarampo, acabou de passar por um grande surto da doença que atingiu 11 estados e 10.302 pessoas no ano passado, por conta da baixa cobertura vacinal.

E outra notícia alarmante foi anunciada nos últimos dias. O Brasil vai perder o certificado de erradicação do sarampo após novo caso endêmico registrado no estado do Pará. O país viveu um surto da doença em 2018 com mais de 10 mil casos registrados, principalmente no Amazonas e em Roraima.

Entre as causas deste retrocesso na saúde está o movimento conhecido como antivacinas, que as apontam como causadoras de doenças e transtornos, tais como o autismo (TEA).

Vacinas e autismo

O mais amplo e completo estudo sobre o tema foi realizado na Dinamarca e revelou o que os estudiosos e pesquisadores já sabiam: que não existe qualquer relação entre a vacina conjunta contra rubéola, varicela e sarampo, conhecida como vacina tríplice viral (VASPR) e o autismo.

Publicado este mês no Annals of Internal Medicine, o estudo realizado pelo Instituto Serum Statens acompanhou a evolução de 657.461 crianças nascidas na Dinamarca entre 1999 e 2010 e as acompanhou até 2013. Em todos os casos foi tido em conta se foram ou não vacinadas.

Os autores também verificaram que a tríplice viral não aumentou a incidência de autismo quando consideradas as variáveis sexo, período de nascimento, administração das demais vacinas oferecidas gratuitamente, histórico de irmão(s) com TEA e presença de alguns fatores de risco, a exemplo da prematuridade, baixo escore de Apgar, fumo durante a gestação, entre outros.

Neste período, 6.517 crianças foram diagnosticadas com autismo, uma incidência de 129,7 por cada 100 mil habitantes. Não foi observada nenhuma diferença entre as crianças vacinadas e as não vacinadas. E também não foi verificada nenhum risco acrescido de autismo para as que foram vacinadas.

A conclusão foi clara: “O estudo prova incondicionalmente que a vacinação VASPR não aumenta o risco de autismo, não desencadeia o autismo em crianças suscetíveis e não está associada a casos de autismo após a vacinação”.

Em entrevista à agência de notícias Reuters, o epidemiologista Anders Hviid, líder do estudo, destacou que os pais não devem deixar de vacinar os filhos por medo do autismo. “Os perigos da prática incluem o recrudescimento do sarampo, que já começamos a testemunhar na forma de surtos”, afirmou.

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Como começou o movimento antivacinas no mundo

A tese de que a vacina tríplice viral poderia ser uma das causas do autismo começou a circular em 1998, com a publicação de um artigo de Andrew Wakefield, na revista científica The Lancet, que sustentava esta relação. Muitos especialistas protestaram contra a tese e vários estudos vieram para provar a sua falsidade.

Tanto que o investigado foi forçado a revelar publicamente que o seu trabalho continha diversos erros, chegando mesmo a perder a sua licença profissional. Apesar disso, infelizmente, a tese continua a ser citada e sobrevive, sobretudo através das redes sociais, estando na origem dos movimentos antivacinas.

Segundo a Dra. Eliane Matos dos Santos, médica da Assessoria Clínica de Bio-Manguinhos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), antes das vacinas serem registradas e comercializadas, elas passam por diversos estudos clínicos que avaliam a sua segurança e a eficácia.

“Estes estudos duram em média de 10 a 20 anos. Após o registro da vacina, o setor de Farmacovigilância, da farmacêutica produtora da vacina, acompanha os relatos de eventos adversos pós-vacinais associados às suas vacinas, inclusive desenvolvendo estudos clínicos após o registro. Caso necessário, as bulas das vacinas são atualizadas, com a inclusão de dados sobre a segurança e a eficácia observadas após o registro. As vacinas são seguras, os eventos adversos comuns após as vacinas, frequentemente são leves e autolimitados, como dor no local da injeção, e os eventos adversos de maior intensidade e gravidade, que são muito raros. O benefício das vacinas em prevenir doenças que podem levar a várias sequelas e/ou morte, como a poliomielite, o sarampo, a rubéola, a meningite, é muito maior que os riscos que as vacinas podem causar”, explica a médica da Bio-Manguinhos (Fiocruz).

Para a especialista, o risco maior é que as crianças desenvolvam enfermidades sérias que são prevenidas por vacinas, com risco das mesmas espalharem agentes causadores de doenças para outras crianças e aos adultos não vacinados por motivo de moléstias ou medicamento que comprometam a imunidade. Outro alarmante risco é o retorno de algumas doenças prevenidas por vacinas e já eliminadas do Brasil, como o sarampo – assim como noticiamos no início deste texto.

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