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4 princípios para escapar de armadilhas diagnósticas

Tempo de leitura: 2 minutos.

Já imaginou se, diante de uma entrevista médica, as respostas diagnósticas simplesmente surgissem na sua cabeça? Pois é exatamente isso que ocorre. No artigo 3 armadilhas diagnósticas que talvez você não conheça foram discutidos esses processos cognitivos, chamados de heurísticas.

Sabe-se que funcionam como atalhos para o raciocínio clínico. Ficou evidente que, quando bem fundamentados, esses nos tornam mais práticos e rápidos na formulação de hipóteses. Entretanto, as heurísticas também podem nos induzir a erros e conclusões simplistas, que não contemplam o diagnóstico correto.

Saiba quais são os quatro princípios básicos da lógica para escapar das armadilhas e pedras no meio do caminho:

  1. Princípio da evidência: não admitir algo como verdadeiro se não houver evidências suficientes para considerar como tal.
  2. Princípio da análise: dividir os problemas em tantas partes quanto forem possíveis para que possam ser melhor resolvidos.
  3. Princípio da síntese: estabelecer uma ordem de relação entre os pensamentos, solucionando primeiro as questões mais simples e depois as mais complexas.
  4. Princípio de controle: fazer constantes revisões de todo processo para se ter certeza de que nada foi omitido.

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Em outras palavras…

1) REJEITE diagnósticos prontos: é preciso construir seu próprio raciocínio. É mais do que comum apenas aceitarmos o pacote que o paciente traz de remédios, exames, laudos e principalmente diagnósticos prévios. O exercício de compreender em que circunstâncias foi amarrado tal pacote é indispensável, questionando sua acurácia.

2) FORMULE uma lista de problemas: é preciso elaborar listas de problemas antigos e atuais. Usadas em grande parte dos serviços médicos, as listas devem ser dinâmicas, frequentemente atualizadas, refletindo a evolução de cada caso. Auxiliam especialmente na Heurística da Disponibilidade, aventando-se diferentes problemas/diagnósticos diferenciais.

3) ORGANIZE os ítens das listas: a lista precisa fazer sentido para quem a confeccionou. Pode ser agrupando sinais, sintomas e síndromes de acordo com suas complexidades (do mais simples para o mais elaborado, por ex.), de acordo com os sistemas envolvidos ou até mesmo com a cronologia. Simplesmente tem de haver sentido agregado ao processo de raciocínio.

4) REVISITE a história clínica: essa estratégia é como uma pedra angular do método clínico. Simples e básica, auxilia na organização, e frequentemente coloca o entrevistador diante de diferentes óticas, não percebidas anteriormente. Permite que julguemos novamente os dados, sendo útil contra todos os tipos de heurísticas.

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Autora:

Rachel Alencar

Graduação em Medicina pela UFF ⦁ Residente de Neurologia na UFRJ ⦁ Experiência em estágio de CCIH no Hospital Universitário Antônio Pedro Plantonista suplente em Terapia Intensiva no Hospital Niteroi D’or ⦁ Certificado ACLS pela Rede D’or São Luiz

Referências:

  • BASTOS, R. O Método Clínico. Editora Bartlebee. 2013.
  • MACEDO, MAS.; OLIVEIRA, MA.; ALYRIO, DR.; ANDRADE, ROB.Heurísticas e vieses de decisão: a racionalidade limitada no processo decisório. Organizational Behavior and Human Resources Management Paper Sessions.
  • VICKREY, BG.; SAMUELS, MA.; ROPPER, AH. How neurologists think: a cognitive psychology perspective on missed diagnoses. Annals of Neurology. DOI: 10.1002/ana.21907. Posted online on April, 2010.

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