Página Principal > Colunistas > Eosinofilia: abordagem ao paciente com aumento de eosinófilos
eosinofilos

Eosinofilia: abordagem ao paciente com aumento de eosinófilos

Tempo de leitura: 2 minutos.

O hemograma é um exame extremamente comum na prática clínica. Entre diversas análises, a contagem de eosinófilos é uma alteração bastante frequente, mas que vários médicos “deixam passar batido”, muitas vezes de olho no desvio dos segmentados, no hematócrito ou nas plaquetas.

O problema é que tanto o excesso como a redução dos eosinófilos pode ser a ponta de um iceberg e estar por trás de doenças importantes. O foco desse texto é dar um tom prático à abordagem ao paciente aparentemente assintomático no qual é detectado um aumento de eosinófilos.

1) Qual a definição de eosinofilia?

Apesar de um valor relativo acima de 5% ser considerado anormal, o “mais correto” é considerar a contagem absoluta, sendo valores acima de 450-550 cél/mm³ considerados anormais. Mesmo assim, são os valores de eosinófilos > 1500 cél/mm³ que têm de fato relevância clínica.

2) Há alguma medicação que possa causar eosinofilia?

Na tabela abaixo há vários fármacos que podem aumentar a contagem de eosinófilos. Caso seja possível, o ideal é substituí-los e repetir a contagem em um intervalo de quatro semanas.

Tabela 1: medicações que podem causar eosinofilia

Beta-lactâmicos Ranitidina Fenitoína
AINE Alopurinol Hctz
Sulfa Aspirina Anti-Retrovirais

3) Faça uma avaliação para parasitose

O foco é o NASA – Necator, Ancylostoma, Strongyloides e Ascaris. Toxocara também é causador de eosinofilia, mas é pouco comum em nosso meio. O exame parasitológico das fezes é a triagem inicial, sendo recomendada a coleta com MIF para aumentar sua sensibilidade. Mas lembrem-se que o isolamento de Strongyloides e Toxocara é difícil e, para estes, temos a opção de sorologia ou tratamento empírico.

  • Albendazol: cobertura para NASA e Toxocara, mas pode haver até 40% de falha com Strongyloides
  • Nitazoxanida: cobertura para Toxocara é ruim.
  • Ivermectina: excelente cobertura para Strongyloides, mas não cobre Toxocara.

4) Pense em alergia

Há diversas formas de atopia relacionadas com eosinofilia, sendo as mais comuns a rinite alérgica, a dermatite atópica e a asma. Contudo, para níveis de eosinófilos > 1500 cél/mm³ + asma recorrente, considere a hipótese de Churg-Strauss e aspergilose broncopulmonar alérgica. Nesse caso, solicite imagem do tórax e seios da face (preferência para TC), espirometria, imunoeletroforese, marcadores sorológicos inflamatórios (incluindo VHS, proteína C reativa e eletroforese de proteínas), ANCA e IgE para Aspergillus.

5) Faça uma boa anamnese e revisão de sistemas

As síndromes hipereosinofílicas comumente causam doença gastrointestinal (ex: diarreia), neuropatia e/ou hepatoesplenomegalia. Lesões de pele e miocardiopatia também são relativamente frequentes. Caso o paciente esteja piorando progressivamente e haja importante eosinofilia, na ausência de evidências para infecção grave, considere uso empírico de corticoterapia em dose imunossupressora.

A tabela abaixo apresenta alguns exames complementares que podem ser úteis na investigação de eosinofilia:

Hemograma Imunoeletroforese Bioquímica
VHS ANCA Cortisol sérico
PCRt IgE total e para Aspergillus Hepatograma
Eletroforese EPF c/ MIF Bioquímica
Vitamina B12 Troponina Triptase sérica

É médico e também quer ser colunista do Portal da PEBMED? Inscreva-se aqui!

Autor:

 

Ronaldo Gismondi

Doutorado em Medicina pela UERJ ⦁ Cardiologista do Niterói D’Or ⦁ Professor de Clínica Médica da Universidade Federal Fluminense

Um comentário

  1. mary geraldino

    Foi interessante e esclarecedor, porque muitas vezes fazemos exames e não procuramos buscar informações ao que está acontecendo dentro do nosso corpo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.



Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.