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Foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o medicamento polatuzumabe vedotina (RoPolivy®, da farmacêutica Roche), em combinação com rituximabe (também da Roche) e bendamustina (da Janssen), com indicação para o tratamento de linfoma difuso de grandes células B quando as terapias tradicionais iniciais falharam.

Como existem poucos tratamentos para esses pacientes, a agência reguladora resolveu aprovar esse remédio mesmo levando em consideração uma pesquisa relativamente pequena, que avaliou apenas 80 pacientes.

ponta de agulha com medicamento para linfoma

Novo medicamento para linfoma

De acordo com os resultados obtidos através do estudo GO29365, o uso do polatuzumabe vedotina combinado com rituximabe e bendamustina elevou significativamente a taxa de resposta completa ao final do tratamento, com nenhum câncer foi detectado no momento da avaliação, quando comparada à combinação isolada (40% versus 17,5%).

Leia também: Bendamustine: novas terapias e o risco de infecção em pacientes com linfoma indolente

O tratamento mais que dobrou a sobrevida global mediana dos pacientes tratados (12,4 versus 4,7 meses) e reduziu em 64% o risco de progressão da doença ou morte.

“Esta opção terapêutica vem atender a uma grande expectativa dos especialistas para esse perfil de pacientes, que estavam órfãos de tratamento eficaz. Além disso, o novo tratamento beneficiará, principalmente, os pacientes mais debilitados e os idosos”, explica o médico Jayr Schmidt Filho, chefe do Centro de Referência de Neoplasias Hematológicas do AC Camargo Cancer Center.

Sobre a doença

Este é o subtipo mais comum entre os linfomas não Hodgkin, respondendo por 30% nessa classificação e por 80% de linfomas agressivos em geral.

Globalmente, isso equivale a 120 mil pessoas diagnosticadas anualmente com este subtipo. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA) é de que sejam 3 mil novos casos anualmente no país. Devido à sua natureza agressiva, sintomas como linfonodos aumentados costumam aparecer precocemente. Quatro a cada dez pacientes são diagnosticados nos estágios iniciais da enfermidade, quando a taxa de cura é de 60%. No entanto, até 40% dos pacientes apresentam recidiva.

Atualmente, a primeira linha de tratamento envolve sessões tradicionais de quimioterapia, com até 70% dos casos curados desta maneira. Quando esse tratamento falha, os médicos apostam no transplante autólogo de medula óssea, com altas doses mais pesadas ainda de quimioterápicos. Após o procedimento, a medula é reinfundida na esperança de que volte a funcionar normalmente sem ser comprometida pelo câncer novamente.

Infelizmente, aproximadamente metade desses pacientes não é elegível ao transplante de medula por fatores como outras doenças, idade avançada ou coleta de células-tronco malsucedida.

Como esse perfil de pacientes é de alto risco e possui chance remota de cura, o objetivo desse novo tratamento é estabilizar a enfermidade e aumentar a sobrevida dos pacientes.

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Como funciona

O medicamento é o primeiro a ter como alvo específico a proteína CD79b, com capacidade de se ligar a esta proteína, encontrada apenas em células B do sistema imunológico. Uma vez acoplado ao alvo, libera a quimioterapia dentro da célula do câncer, preservando as saudáveis.

Sobre os efeitos colaterais, eles são mais brandos do que os da quimioterapia. Mas podem envolver neuropatia periférica, suscetibilidade a infecções e anemia. “Felizmente, conseguimos manejar essas complicações”, esclarece Jayr Schmidt Filho.

O polatuzumabe vedotina é estudado desde 2017, tendo sido aprovado em 2019 pela FDA americana e em janeiro deste ano pela Comissão Europeia.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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