As amostras respiratórias são eficazes para detecção do novo coronavírus?

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Atualmente, o método de escolha para o diagnóstico de infecção pelo SARS-CoV-2 é a realização de PCR viral em amostras respiratórias. As amostras mais frequentemente coletadas e mais facilmente acessíveis são os swabs, com a recomendação do Ministério da Saúde de coletar swab combinado nasal/oral.

Um grupo chinês publicou na JAMA um estudo que avaliou a detecção de SARS-CoV-2 em diferentes amostras clínicas. Os resultados foram comentados na NEJM Journal Watch e levantaram preocupações em relação à capacidade diagnóstica dos swabs nasal/oral.

laboratorista avaliando swab de paciente com suspeita de coronavírus

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Exame para detecção do coronavírus

Diferentes amostras clínicas foram coletadas de pacientes com casos confirmados de Covid-19 em três hospitais chineses em janeiro e fevereiro de 2020, incluindo swabs faríngeos, sangue, escarro, fezes, urina, swabs nasais, lavado broncoalveolar e biópsia fibrobroncoscópica. O RNA viral foi extraído das amostras e submetido à técnica de amplificação por PCR-RT. Quatro amostras de fezes positivas para SARS-CoV-2 com carga viral elevada foram submetidas à cultura viral e analisadas para avaliar a presença de vírus vivos.

No total, 1070 amostras provenientes de 205 pacientes foram analisadas. A maioria dos pacientes (68%) era homem e a média de idade foi de 44 anos. Os sintomas mais frequentes que os pacientes apresentaram foram febre, tosse seca e fadiga. As maiores taxas de positividade foram encontradas em lavado broncoalveolar (93%), seguida de escarro (72%), swabs nasais (63%), biópsia fibrobroncoscópica (46%), swabs faríngeos (32%), fezes (29%) e sangue (1%). Nenhuma amostra de urina foi positiva. As amostras de swab nasal foram as que apresentaram maiores cargas virais. Dois dos pacientes com vírus vivos encontrados nas fezes não tinham diarreia.

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Resultados

Os autores discutem que as amostras respiratórias são as que apresentaram maior positividade. Também chamam a atenção para o fato da detecção de vírus vivos nas fezes dos pacientes, incluindo indivíduos sem diarreia, o que poderia apontar para a possibilidade de transmissão fecal-oral. Diante disso, sugerem que a realização de PCR poderia aumentar a sensibilidade dos testes e reduzir o número de testes falso-negativos.

Já os autores do comentário na NEJM Journal Watch destacam que os resultados do estudo chinês levantam preocupação em relação ao uso de swabs nasais e faríngeos, coletados no mesmo momento, como forma de excluir infecção pelo SARS-CoV-2. Também reforçam que a sensibilidade depende das características técnicas do teste e o método de coleta das amostras.

Entretanto, foram poucas as amostras de swab nasal coletadas, as quais, pelos próprios dados do estudo, apresentariam as maiores cargas virais. Da mesma forma, não há dados em relação a que momento da infecção as amostras foram coletadas, o que poderia afetar a sensibilidade dos testes. Também não há dados de sensibilidade quando se combinam os swabs nasal e faríngeo como recomendado no Brasil.

Conclusão

Por ora, deve-se manter a recomendação do Ministério da Saúde para coleta de amostras respiratórias. A detecção viral em outros tipos de amostras clínicas pode significar uma forma de melhorar o diagnóstico e apontar para novas formas de transmissão, mas mais estudos são necessários para validar essas hipóteses.

Autora:

Referências bibliográficas:

  • Wang, W., Xu, Y., Gao, R., Lu, R., Han, K., Wu, G., & Tan, W. (2020). Detection of SARS-CoV-2 in Different Types of Clinical Specimens. JAMA. doi:10.1001/jama.2020.3786
  • Kaul, D. Pharyngeal and Nasal Swabs May Not Have Adequate Sensitivity for SARS-CoV-2. NEJM Journal Watch 2020. Disponível em: https://www.jwatch.org/na51116/2020/03/17/pharyngeal-and-nasal-swabs-may-not-have-adequate
  • Ministério da Saúde. Protocolo de Tratamento do Novo Coronavírus (2019-nCoV). Brasília 2020.

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