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Coagulopatia na infecção por coronavírus: um fator de mau prognóstico

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Coagulopatia em coronavírus

Um estudo publicado em fevereiro/2020, no Journal of Thrombosis and Haemostasis, avaliou retrospectivamente a coagulação de 183 pacientes com infecção pelo coronavírus, acompanhados em um hospital de Wuhan. A mediana de idade foi de 54 anos, sendo que 41% dos indivíduos tinham comorbidades, como doença cardiovascular, pneumopatia, malignidade e doença renal crônica. Onze e meio por cento dos casos evoluíram para óbito.

Comparando os resultados dos testes de coagulação dos pacientes que foram a óbito com os sobreviventes, observou-se maior incidência de coagulação intravascular disseminada (CIVD) nos primeiros (71,4% x 0,6%): maiores níveis de D-dímero (> 3 mcg/mL em 85,7% dos casos), maior prolongamento do tempo de protrombina (> 6 seg em 47,6% dos casos) e menores valores de fibrinogênio (< 100 mg/dL em 28,6% dos casos) e de plaquetas (< 50.000/mm³ em 23,8% dos casos). Nos pacientes que evoluíram mal, o intervalo mediano entre a admissão hospitalar e o desenvolvimento da coagulopatia foi de quatro dias.

O número de participantes foi relativamente pequeno (e de apenas um centro), tornando a amostra pouco representativa. No entanto, evidenciou-se alta incidência de CIVD nos pacientes que foram a óbito, sugerindo que os parâmetros de coagulação tenham valor prognóstico na infecção pelo coronavírus, assim como na sepse.

Para avaliação de CIVD, pode-se usar o escore da ISTH (International Society on Thrombosis and Haemostasis):

0 ponto 1 ponto 2 pontos
Plaquetometria >100.000/mm³ 50.000-100.000/mm³ < 50.000/mm³
D-dímero Baixo Moderadamente aumentado Fortemente aumentado (> 5x o valor normal)
Prolongamento do tempo de protrombina < 3 segundos
    1. segundos
> 6 segundos
Fibrinogênio > 100 mg/dL < 100 mg/dL
  • Se pontuação ≥ 5: compatível com CIVD (repetir exames diariamente);
  • Se pontuação < 5: não exclui CIVD, mas os achados não são tão característicos (repetir exames em 24-48 horas).

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Conclusões

Na CIVD, deve-se avaliar a necessidade de transfusão de hemocomponentes. A administração profilática de plaquetas e/ou fatores de coagulação (plasma fresco ou crioprecipitado), na ausência de hemorragia e de fatores de risco para hemorragia não é recomendada de rotina, exceto se trombocitopenia muito grave (< 10.000-20.000 plaquetas/mm³).

Por outro lado, se houver sangramento ativo ou necessidade de procedimento invasivo, a transfusão está indicada. Outras medidas de suporte também devem ser continuadas, como hidratação vigorosa e suporte ventilatório.

Autora:

Referências bibliográficas:

  • Tang, Ning, et al. “Abnormal Coagulation parameters are associated with poor prognosis in patients with novel coronavirus pneumonia.” Journal of Thrombosis and Haemostasis (2020).
  • Papageorgiou, Chrysoula, et al. “Disseminated intravascular coagulation: an update on pathogenesis, diagnosis, and therapeutic strategies.” Clinical and Applied Thrombosis/Hemostasis 24.9_suppl (2018): 8S-28S.
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Um comentário

  1. Um remédio tão antigo, a aspirina, não seria benéfica no tratamento? Seria interessante um estudo sobre essa possibilidade.

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