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O parto cesariano é a intervenção cirúrgica mais comum no mundo. O alívio inadequado da dor após o parto pode afetar negativamente a amamentação, os cuidados com o bebê e a satisfação materna, além de aumentar morbidade e tempo de internação hospitalar. A analgesia multimodal, incluindo opioides neuroaxiais de longa ação (morfina) fazem parte da estratégia padrão para combater a dor. Entretanto, sabemos dos efeitos adversos do uso da morfina no neuroeixo: prurido, náuseas e vômitos, retenção urinária, constipação intestinal e depressão respiratória.

Nos últimos anos, assistimos a expansão de vários bloqueios de nervos abdominais na tentativa de reduzir o consumo de opioides no período pós-operatório, como o bloqueio do plano transverso do abdome (TAP block), bloqueio do músculo quadrado lombar (QL block), bloqueio ilioinguinal-iliohipogástrico (II-IH block) e infiltração da ferida operatória.

O suprimento nervoso da parede abdominal anterior é derivado dos nervos originados de T6 a L1, que passam pelo plano entre o transverso do abdomen e o músculo oblíquo interno. Os ramos cutâneos dos nervos subcostais T11 e T12, o nervo ílio-hipogástrico e o nervo ilioinguinal irrigam a pele abaixo do umbigo. A cesariana é comumente realizada com uma incisão de Pfannenstiel, e o componente somático da dor gerada neste local é conduzido pelos nervos II-IH, que inervam a distribuição dos dermátomos L1-L2. Portanto, o bloqueio desses nervos resulta em um alívio eficaz da dor.

Saiba mais: Manejo da dor periparto em mulheres com dependência de opioides

parto cesariano

Revisão sobre o parto cesariano

Foi realizada uma revisão sistemática e metanálise com o objetivo de avaliar a eficácia do bloqueio II-IH na redução dos escores de dor e consumo de opioides após parto cesariano. Um total de 13 ensaios com 858 pacientes foram incluídos. Os pacientes receberam anestesia geral em quatro ensaios, raquianestesia em oito ensaios e anestesia raquidiana e peridural em um ensaio. O grupo bloqueio II-IH foi comparado com o grupo controle – composto de pacientes que receberam analgesia sistêmica com ou sem bloqueio placebo (com solução salina 0,9%). 

O desfecho primário foi a dose cumulativa de equivalentes de morfina nas primeiras 24h de cirurgia. O desfecho secundário foram os escores de dor em 4 a 6h e 24h de pós-operatório, tempo para a primeira solicitação de analgesia de resgate e efeitos adversos.

Resultados e discussão

O grupo II-IH mostrou propriedade poupadora de opioide com uma redução geral do consumo de equivalentes de morfina intravenosa nas primeiras 24h de 15,57mg. A diferença no consumo de morfina foi mais pronunciada nos pacientes que receberam anestesia geral em comparação com a anestesia neuroaxial, com reduções de 18,04mg e 9,08mg de equivalentes de morfina respectivamente.

Além disso, o grupo bloqueio II-IH mostrou redução significativa dos escores de dor de 4 a 6h e prolongou o tempo de solicitação da analgesia de resgate.

Houve também uma redução significativa da incidência de náuseas e vômitos pós-operatórios (NVPO) no grupo bloqueio II-IH.

A escolha do II-IH block em detrimento do TAP block e do QL block se deve à sua facilidade de realização, cobertura precisa dos dermátomos L1-L2 e posicionamento em decúbito dorsal. O TAP block apresenta falha de bloqueio do dermátomo de L1 em > 50% dos pacientes, já o QL block necessita mudança de decúbito e técnica mais difícil.

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Conclusão

Esta revisão sistemática analisou os dados agrupados de 13 ensaios clínicos randomizados e descobriu que o uso do bloqueio II-IH foi associado a uma redução significativa no consumo de opioides nas primeiras 24h e uma diminuição na incidência de NVPO em comparação com os grupos controle. No grupo II-IH, também houve uma redução notável nos escores médios de dor em repouso em todos os intervalos de tempo medidos e um tempo maior para a primeira solicitação de analgésico de resgate pós-operatório.

Autor:

Referências bibliográficas:

  • Singh, Narinder P.; Makkar, Jeetinder K.; Bhatia, Nidhi; Singh, Preet Mohinder The analgesic effectiveness of ilioinguinal-iliohypogastric block for caesarean delivery, European Journal of Anaesthesiology: August 2021 – Volume 38 – Issue – p S87-S96. doi: 10.1097/EJA.0000000000001379
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