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Como profissionais de saúde podem evitar reproduzir a LGBTIA+fobia?

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Em comemoração pelo mês da visibilidade LGBTIA+ (População de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Mulheres Transexuais e Homens Trans, Pessoas Intersexo e Assexuais), em junho de 2020, o Grupo de Trabalho de Gênero, Sexualidade, Diversidade e Direitos da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) lançou a cartilha “Mitos e Verdades sobre Saúde da População LGBTIA+”, abordando questões sobre esse grupo populacional, levantadas por profissionais de saúde em encontros promovidos pelo grupo.

Como profissionais de saúde podem evitar reproduzir a LGBTIA+fobia?

Realidade

Entre os diversos “mitos e verdades’ abordados no documento, encontram-se os relacionados à LGBTIA+fobia institucional, referente a formas de funcionamento e de atendimento por unidades e profissionais de saúde que apresentam-se de maneira discriminatória. A população LGBTIA+ possui maior risco de desenvolver problemas de saúde, quando comparada à população geral, justamente devido à estigmatização que sofrem e à LGBTIA+fobia. Dessa forma, é essencial que médicos e outros profissionais de saúde saibam reconhecer e evitar os padrões LGBTIA+fóbicos que muitas vezes podem permear suas práticas.

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Como agir?

Em primeiro lugar, é importante compreender que estar “bem intencionado” pode não bastar para evitar a reprodução da LGBTIA+fobia. A construção individual a respeito de gênero e sexualidade é de origem social e, consequentemente influenciada por padrões que, historicamente, se moldaram em contextos heteronormativos. Por isso, esse processo deve superar apenas a “boa intenção” e alcançar níveis de reflexão crítica individual, de forma a se atentar aos preconceitos que carregamos de forma consciente ou inconsciente.

Da mesma maneira, os mesmos padrões sociais e históricos heteronormativos e discriminatórios podem influenciar a reprodução da LGBTIA+fobia inclusive por parte de profissionais de saúde que são LGBTIA+. O grau de influência do meio e de seus padrões nas pessoas é diferente, mas precisa ser percebido, refletido e trabalhado por cada um.

Além disso, é muito significante o reconhecimento de que a discriminação possui importante impacto sobre a saúde da população LGBTIA+. Índices de depressão em pessoas desse grupo em lugares onde não é permitido o casamento entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo, é maior do que naquelas em locais onde é. A própria decisão, por parte do paciente, de não relatar sua orientação sexual em consulta por medo de ser mal atendido, por exemplo, traz estresse e exacerba problemas de saúde já existentes.

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Além do básico

As características do acesso da população LGBTIA+ às unidades de saúde também devem ser avaliadas. Estratégias comuns de aumento de acesso a consultas, utilizadas em unidades de Atenção Primária, na maioria das vezes, não serão suficientes para garantir a procura dessas pessoas por cuidado em saúde. Isso ocorre pois comumente elas se deparam com ações ou ambientes discriminatórios nas unidades de saúde. Nesse sentido, é importante a realização de atividades de educação permanente com os profissionais da unidade, inclusive administrativos, limpeza, etc. Desse modo, garantindo o respeito aos direitos dessa população no cuidado de sua saúde. A utilização do nome social de pacientes transexuais, por exemplo, por parte dos funcionários da unidade, bem como nos registros clínicos e prontuários, é um bom exemplo prático a esse respeito.

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Mensagem final

Boa parte dos contatos com serviços de saúde e consultas ainda se caracterizam por dificuldades de comunicação entre profissionais e a população LGBTIA+. Esse entrave é apenas mais entre os quais esse grupo populacional é submetido, aumentando sua vulnerabilidade e problemas de saúde, como o sofrimento mental. Portanto, os médicos e profissionais de saúde, que possuem a missão de cuidar de seus pacientes, têm a obrigação de manterem-se sempre atentos a não reproduzir qualquer tipo de preconceito, prezando pela saúde e garantindo o bom cuidado a todos eles, sem discriminação.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. Mitos e Verdades sobre Saúde da População LGBTIA+. Cartilha 1 da Coleção Saúde LGBTIA+. Grupo de Trabalho de Gênero, Sexualidade, Diversidade e Direitos da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. Junho de 2020
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