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Descoberto primeiro caso de paciente sem vitamina D no organismo

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Foi descoberto o primeiro caso de paciente sem vitamina D no organismo. A revelação científica foi publicada no New England Journal of Medicine, que identificou o primeiro caso de uma pessoa que não possui a proteína necessária para ligar e transportar a vitamina D na corrente sanguínea.

O artigo abre novos caminhos para que os cientistas descubram como o corpo transporta e absorve a vitamina D, além da melhor maneira de fazer essa medição. O estudo é liderado por um geneticista da Universidade de Calgary e com co-autoria de pesquisadores da Universidade de Washington em Seattle, nos Estados Unidos, e da Universidade da Columbia Britânica.

Segundo o estudo, nos anos 90 uma mulher de 33 anos procurou ajuda médica quando começou a perceber que estava ficando encurvada e com dificuldade de mobilidade em algumas regiões do corpo. Nesta época, o médico Raymond Lewkonia, da Universidade de Calgary, fez um diagnóstico de espondilite anquilosante, doença inflamatória crônica, ainda incurável, que afeta as articulações do esqueleto axial, especialmente as da coluna e ombros, e que ainda afeta as articulações dos quadris e joelhos.

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No entanto, após oito anos, a paciente sofreu uma série de fraturas no corpo. Então, o médico receitou alguns suplementos de vitamina D. Porém, exames laboratoriais constataram que ela não tinha nenhuma quantidade de vitamina D circulando na corrente sanguínea, apesar da constante ingestão do mesmo. O médico geneticista Patrick Ferreira foi o primeiro a desvendar o intrigante mistério quando suspeitou que havia um problema com a proteína de ligação da vitamina D da paciente.

Os pesquisadores, então, realizaram uma série de exames para provar que, de fato, a paciente não era capaz de produzir qualquer proteína de ligação à vitamina D, simplesmente porque não possuía o gene necessário para fazê-lo.

“Isso aumentou a controvérsia atual sobre como a vitamina D deve ser medida e o que deve ser considerado um nível normal”, afirma Julien Marcadier, MD, professor assistente clínico nos departamentos médicos de genética e pediatria na Faculdade de Medicina Cumming e autor sênior do artigo. A paciente está tomando vitamina D todos os dias e não sofreu nenhuma fratura recente.

A importância da vitamina D

De acordo com a nutricionista clínica da Nobre Saúde, Camila Longhi Macarrão, que também é especialista em Nutrição Clínica e Terapia Nutricional, a função mais conhecida da vitamina D está relacionada à garantia de níveis adequados de cálcio e fósforo no organismo. “Essa vitamina é essencial para que haja absorção de cálcio no intestino, uma vez que na insuficiência de vitamina D, aproximadamente, apenas 10 a 15% do cálcio proveniente da dieta e da própria liberação do osso, pode ser absorvido”, explica.

Além disso, a nutricionista destaca que a vitamina D participa de diversas funções ósseas extras, como a saúde muscular, garantindo assim tanto a força de contração do músculo como influencia o próprio equilíbrio de uma pessoa.

Ainda segundo a especialista, também existem ações da vitamina como um potente modulador do sistema imunológico, prevenindo doenças autoimunes como a esclerose múltipla, possivelmente com a artrite reumatoide e ao lúpus “A vitamina D apresenta relação protetora importante a alguns tipos de cânceres como de próstata, mama e cólon. E alguns estudos associam a deficiência de vitamina D com a obesidade e síndrome metabólica”, complementa Camila Macarrão.

Como obter a vitamina D?

Segundo a nutricionista, os maiores problemas da deficiência de vitamina D são as alterações ósseas, como dores e fraqueza muscular. Em crianças, a deficiência pode gerar raquitismo. Já em adultos, osteomalácia e osteoporose.
Existem poucas fontes naturais de vitamina D. Por ser uma vitamina que precisa de gordura para ser absorvida, uma alimentação com quantidades insuficientes de gordura interferem na sua absorção. Entre os alimentos que são boas fontes, estão: peixes (salmão selvagem e cativeiro, sardinha, atum e cavala), shitake e gema de ovo.

A exposição à luz solar é a forma mais eficaz de atingir as necessidades da vitamina, por isso sugere-se que haja exposição solar por pelo menos 15 minutos 3x/semana. “Vale ressaltar que o uso de roupas excessivamente quentes e o protetor solar, que é importantíssimo para prevenir câncer de pele, podem reduzir significativamente a produção de vitamina D pela pele”, esclarece a especialista.

Quando existe uma deficiência grave de vitamina D no organismo, o médico deve indicar a ingestão de suplementos aos seus pacientes. “Existe a suplementação profilática a grupos específicos como em crianças a partir da primeira semana de vida até os 24 meses, mesmo que em aleitamento materno exclusivo, recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Já em idosos, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia recomenda a suplementação quando há deficiência avaliada no exame bioquímico para garantir a redução da fragilidade óssea e as quedas”, ressalta a nutricionista Camila Macarrão.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Referências:

  • N Engl J Med 2019; 380:1150-1157. DOI: 10.1056/NEJMoa1807841

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