Destaques ACR 2020: doenças osteometabólicas e artrites microcristalinas

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Neste texto da série sobre os destaques do ACR Convergence 2020, trarei estudos interessantes sobre doenças osteometabólicas e artrites microcristalinas.

Pesquisadora em estudo de destaque da ACR 2020 sobre doenças osteometabólicas e artrites microcristalinas

Osteoporose

Com relação à osteoporose, destaco 2 estudos que abordam um tema extremamente relevante, que por vezes é esquecido pelos reumatologistas no tratamento das doenças autoimunes: a osteoporose induzida por corticoide.

Rife et al. apresentaram uma avaliação descritiva da adesão aos guidelines da ACR para prevenção dessa condição. Dos 206 pacientes identificados com uso de corticoide ≥ 90 dias, apenas 53 (26%) estavam em uso de cálcio. Desses, apenas 43% estavam com dose adequada de cálcio. Com relação à vitamina D, 52% estava em uso (80% na dose correta). Apenas 6% dos pacientes estavam em uso de terapia antiosteoporótica (N=12, 4 com alendronato, 3 com ácido zoledrônico, 4 com denosumabe e 1 com teriparatida).

Leia também: ACR 2020: vasculites sistêmicas e doenças correlatas

Figueroa-Sierra et al. fizeram um estudo para avaliar intervenções educacionais com o objetivo de aumentar a adesão aos guidelines da ACR (2017) para prevenção de osteoporose induzida por corticoide. Os autores encontraram que houve um aumento na solicitação de densitometria óssea no baseline e no seguimento, bem como no início de terapia para osteoporose naqueles com FRAX moderado a alto e prednisona > 30 mg/dia. Apesar disso, mesmo após as intervenções educacionais, menos de 50% dos pacientes iniciaram o tratamento antiosteoporose.

Gota

A TC com dupla emissão (DECT) é uma ferramenta que vem sendo cada vez mais utilizada na identificação de depósitos teciduais de urato monossódico em pacientes com diagnóstico ou suspeita de gota. Nesse exame, esses depósitos são identificados através de lesões codificada por cores. Após avaliar diferentes lesões através da DECT, Christiansen et al. encontraram que as várias lesões identificadas como urato monossódico podem, de fato, corresponder a lesões contendo cálcio. Na análise de diversas articulações, tendões e ligamentos, eles identificaram que os depósitos puros de urato monossódico eram encontrados, principalmente, nas primeiras articulações metatarsofalangeanas e nos ligamentos patelares. Um dado interessante é que todos os pacientes com gota apresentavam depósitos nessas topografias. Desse modo, focar a análise do DECT nesses dois sítios pode melhorar a especificidade desse exame, sem que haja comprometimento da sensibilidade.

Saiba mais: ACR 2020: destaques sobre artrite reumatoide

Um estudo avaliou a relação entre os níveis séricos de ácido úrico obtidos após 6 meses de tratamento hipouricemiante e a qualidade de vida em pacientes com gota. Os autores encontraram que tanto os altos níveis de ácido úrico sérico quanto a sua variação brusca se associaram com piora na qualidade de vida. Desse modo, esses dados reforçam ainda mais a necessidade de se iniciar doses baixas de hipouricemiantes, com progressão lenta das doses (“start low, go slow”).

Por fim, um estudo avaliou um grande número de pacientes diabéticos (sem o diagnóstico prévio de gota) e que estavam em uso de inibidores da SGLT-2. Foi identificado que o risco de gota incidente parece ser menor naqueles que fizeram uso desse grupo de medicamentos; no entanto, a dapagliflozina e a empagliflozina parecem ter um efeito superior ao da canagliflozina na prevenção da doença.

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Referências bibliográficas:

  • American College of Rheumatology. Abstract Supplement ACR Convergence 2020. Arthritis Rheumatol. 2020; doi:10.1002/art.41538.
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