ENDO 2021: como tratar osteoporose durante a pandemia de Covid-19?

Tempo de leitura: 3 min.

Estamos fazendo a cobertura do ENDO 2021, o principal encontro de pesquisa em endocrinologia e atendimento clínico em todo o mundo. No encontro virtual, tivemos uma palestra realizada pelo Dr. Matthew T Drake sobre os desafios do tratamento de osteoporose durante a pandemia de Covid-19.

Neste post, traremos os principais insights.

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Osteoporose e Covid-19

A osteoporose é uma doença crônica e o tratamento contínuo é necessário para a maioria dos pacientes. A pandemia dificultou tanto o diagnóstico quanto o acompanhamento dos casos.

O palestrante citou muitas dificuldades neste contexto, como redução no número de consultas, redução na disponibilidade de exames laboratoriais e densitometria óssea, desafios na administração de medicação parenteral, perda de cobertura de plano de saúde. Os impactos foram claros, até o FRAX teve seu uso reduzido ao redor do mundo.

Recomendações para o manejo de osteoporose

O Dr. Matthew discutiu algumas recomendações para o manejo de osteoporose em tempos de pandemia, ressaltando que são baseadas em opiniões de expert, pela escassez de informações na literatura.

  1. A densitometria óssea (DXA) é eletiva. O FRAX pode ser calculado sem a DXA.
  2. Exames laboratoriais devem ser solicitados antes de iniciar o denosumabe ou bifosfonato endovenoso. Nos pacientes estáveis, a dose pode ser repetida, se exames normais no último ano. Nos pacientes em risco de hipocalcemia (doença renal, dificuldades de absorção), repetir laboratório antes da nova dose.
  3. Pacientes tratados devem continuar terapia, quando possível. Não há evidências de que o tratamento de osteoporose aumente o risco de Covid-19 ou piore seu curso.
  4. Considerar formas alternativas de distribuir a medicação, como delivery em casa e administração estilo drive-thru dos agentes injetáveis.
  5. O atraso da administração dos bifosfonatos endovenosos não parece ser prejudicial devido a longa meia-vida da medicação.
  6. O atraso no denosumabe está relacionado à atividade osteoclástica de rebote, perda óssea rápida e fraturas vertebrais compressivas. É recomendada a transição para bifosfonato oral, se o denosumabe tiver que ser descontinuado. Em pacientes com efeitos colaterais no trato gastrointestinal, considerar ibandronato oral mensal.
  7. Teriparatida é abaloparatida podem ser atrasadas com segurança. Se o atraso exceder 2/3 meses, considerar transição para bifosfonato oral.
  8. Romozumabe pode ser atrasado com segurança. Se atraso exceder 2/3 meses, considerar transição para bifosfonato oral. Se paciente já foi tratado por mais de 6 meses, considerar transição permanente para bifosfonato oral.

Osteoporose X vacinação Covid-19

O palestrante dedicou alguns minutos da palestra para ressaltar que não há evidências de que as terapias para osteoporose interfiram na eficácia ou efeitos colaterais da vacina contra Covid-19. Não há necessidade de priorizar pacientes com osteoporose na vacinação.

Vitamina D e Covid-19

Outro ponto bastante falado nos últimos meses foi a relação entre vitamina D e os casos de Covid-19, devido a estudos observacionais que relacionaram a deficiência da vitamina com infecções. O palestrante ressaltou que a relação causal é incerta e não há evidências de que a reposição de vitamina D previna ou trate Covid-19.

Há muitos ensaios clínicos em curso tentando esclarecer esta relação. No momento, recomenda-se a ingestão padrão diária de 600 a 1.000 UI pela alimentação ou suplementação.

Mensagem prática

  1. Covid-19 estabeleceu muitas barreiras para a abordagem da osteoporose.
  2. Não há evidências de que o tratamento de osteoporose impacte no risco de infecção por Covid-19, gravidade ou eficácia da vacina.

Mais do congresso:

Autora:

Referências bibliográficas:

  • ENDO 2021 Treating pacients with Covid-19 during the Covid-19 pandemic. Matthew Drake Md, Phd. 22 de março de 2021.
  • Yi EW, Tsourdi E, Clarke BL, Bauer DC, Drake MT. Osteoporosis management in the era of COVID‐19. J Bone Miner Res. 2020; 35: 1009– 13. Disponível em: https://asbmr.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/jbmr.4049
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Publicado por
Dayanna de Oliveira Quintanilha

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