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ESC 2020: Edoxabana é eficaz para prevenção de AVC naqueles com FA e alto risco de sangramento?

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Pacientes idosos são, em geral, uma população que merece atenção especial, principalmente quando se trata de acidentes vasculares encefálicos (AVC) em pacientes com fibrilação atrial (FA). O incremento da idade é fator de risco tanto para FA quanto para AVC, e pacientes idosos podem sofrer de outras doenças e tomar medicamentos para outros fins.

A fragilidade desses pacientes, associada à polifarmácia e possibilidade de quedas, faz com que os médicos relutem em prescrever os anticoagulantes orais para pacientes com FA e risco de AVC.

Os estudos já apresentados, evidenciando a eficácia dos anticoagulantes orais diretos na prevenção de AVC pela FA, contemplam poucos pacientes com idade superior a 80 anos. Portanto, a grande questão a ser respondida seria se doses menores de anticoagulantes teriam benefício na prevenção de AVC ao mesmo tempo que apresentariam segurança em relação a sangramento.

Sendo assim, o estudo ELDERCARE-AF decidiu responder essa questão. Os resultados foram publicados hoje e apresentados no congresso virtual da European Society of Cardiology (ESC 2020).

eletrocardiograma de paciente com risco de FA na prevenção de AVC, conforme apresentado no ESC 2020

Prevenção de AVC em pacientes com fibrilação atrial

O ELDERCARE-AF usou modelo de estudo randomizado, duplo cego, multicêntrico, placebo controlado, onde os pacientes, maiores de 80 anos, recebiam uma dose de 15 mg diária de edoxabana.

Os critérios de inclusão para o estudo foram:

  • Maiores de 80 anos;
  • Fibrilação atrial documentada no holter ou ECG de superfície há pelo menos 1 ano;
  • CHADS2 = 2 ou mais;

Pacientes eram considerados inaptos a receber anticoagulantes orais por uma ou mais das seguintes razões:

  • Baixo clearence de creatinina;
  • História de sangramento em algum local crítico do corpo ou sangramento gastrointestinal;
  • Baixo peso (≤45 kg);
  • Uso contínuo de AINEs;
  • Uso de antiplaquetários.

O desfecho primário foi um composto de AVC ou evento embólico e o desfecho primário de segurança foi sangramento maior. O desfecho secundário engloba um composto entre AVC, evento embólico, morte cardiovascular, eventos cardiovasculares maiores, um composto de AVC, embolismo, ou morte por qualquer causa.

O desfecho secundário de segurança é definido por um composto entre sangramento maior, ou sangramento menor com importância clínica, sangramento menor e todos os tipos de sangramento.

Características populacionais

A maioria dos pacientes eram mulheres, a idade média foi de 86 anos. Mais de 80% possuíam hipertensão e mais da metade eram portadores de insuficiência cardíaca. Importante frisar a média do clearence de creatinina foi de 36,3 mL/min, sendo mais de 80% dos pacientes, possuíam um clearence de creatinina ≤50 ml/min.

 

Resultados

O estudou contou com um total de 984 pacientes, entretanto 303 descontinuaram a terapia (desses 135 morreram), o número de pacientes que descontinuaram a terapia foi semelhante nos dois grupos. Os dois grupos (edoxabana vs placebo) contaram com 492 participantes.

A taxa anual de AVC no grupo da edoxabana foi de 2,3% em comparação com 6,7% do grupo placebo (risco relativo, 0.34; 95% intervalo de confiança [IC], 0.19 a 0.61; P<0.001). Já o risco anual de sangramento foi de 3,3% no grupo da edoxaban e 1,8% no grupo placebo (1.87; 95% IC, 0.90 a 3.89; P=0.09).

Houve um número substancial de sangramento gastrointestinal no grupo da edoxabana e não houve diferença significativa na mortalidade por todas as causas (0.97; 95% IC, 0.69 a 1.36).

Conclusões

A edoxabana 15 mg mostrou ser mais eficaz que o placebo ao reduzir eventos anuais de AVC com um nível de segurança aceitável em pacientes acima dos 80 anos com risco elevado de sangramento.

Atenção especial deve ser dada aos sangramentos gastrointestinais nessa população, mas é importante frisar que a causa de morte nessa população, na maioria das vezes, não esteve relacionada à FA ou a eventos embólicos ou sangramentos. Sendo assim a edoxabana 15 mg mostra ser uma opção terapêutica nessa população.

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