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Mãe posa com seu filho no período pós-parto no qual também está sob tratamento de anticoagulantes

Estudo avalia complicações pós-parto em pacientes recebendo terapia de anticoagulação

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Tem-se observado o uso cada vez maior e mais rotineiro de anticoagulação na gestação e no puerpério. O período pós-parto guarda um risco 15 a 35 vezes maior de eventos tromboembólicos se compararmos mulheres de mesma faixa etária. Isso torna crucial o emprego da terapia em pacientes onde o risco é maior.

Ainda não existem protocolos definitivos para datar o momento mais adequado da reintrodução na fase puerperal da terapêutica anticoagulante. Os guidelines atuais sugerem a interrupção do uso de heparina de baixo peso molecular 24 horas antes dos bloqueios regionais e pelo menos 4 horas de intervalo após a retirada do cateter de peridural para reinício no pós-parto. Poucos estudos analisam os efeitos deletérios durante o puerpério. Essa lacuna do momento mais oportuno e o elenco de complicações relacionadas ao emprego da terapia anticoagulante são objeto do estudo publicado recentemente na revista Obstetrics & Gynecology.

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Método do estudo no pós-parto

Durante o período de 12 anos (2003 a 2015), foram analisados 232 casos de gestantes de todas paridades tratadas com anticoagulação numa coorte retrospectiva entre três hospitais universitários em Quebec, Canadá.

No período de julho de 2003 a dezembro de 2015 foram revisadas, através do cruzamento de informações do setor de farmácia hospitalar e o prontuário médico, prescrições de puérperas que receberam anticoagulação terapêutica nas doses de 200 UI/kg/dia de dalteparina, 175 UI/dia de tinzaparina e 1,0 mg/kg/2x ao dia ou 1,5 mg/kg/dia de enoxaparina, e quaisquer doses de inibidores de trombina. Doses menores que essas eram consideradas apenas profiláticas.

Caracterizaram-se como complicações primárias hemorragias que necessitaram transfusões ou cirurgias, ressuscitações volêmicas com pelo menos 1 litro de cristaloides e problemas com as feridas operatórias (hematomas, deiscências, seroma ou abscessos). Se mais de uma dessas ocorresse na mesma mulher, considerava-se como um evento múltiplo, mas contado apenas uma vez para estatística.

Eventos secundários foram caracterizados como as complicações de cesáreas que não necessitassem de abordagens ou transfusões, ou quedas maiores que 2 g/dl no hematócrito. Os eventos tromboembólicos foram diagnosticados através de confirmação com Doppler de membros inferiores, angiografia pulmonar ou scan perfusão ventilatória.

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Achados

O estudo mostrou 8,4% e 15,7%, respectivamente, de complicações hemorrágicas maiores e de ferida operatória entre pacientes de cesárea, enquanto somente 6% nas pacientes com partos normais. O tempo de interrupção antes do parto não interferiu nas complicações e sim o tempo de retorno com tratamento anticoagulante.

Nesse estudo de coorte exclusivo para tratamento anticoagulação puerpério, o retorno das terapias de anticoagulação deve ser com 9,25 horas de pós-parto normal e em até 15,1 horas após as cesáreas.

Conclusão

Com todas essas informações os autores concluem:

  1. A anticoagulação em mulheres grávidas tornou-se comum em gestantes de alto risco.
  2. O timing ideal de retorno da terapia anticoagulante deve levar em consideração o risco de sangramento.
  3. Os timings encontrados no estudo sugerem prescrição após 9,25 horas do parto normal e 15,1 horas após as cesáreas. Porém, as decisões deverão ser individualizadas, principalmente se postergar a prescrição entre 24 e 48 horas após o parto.

Autor(a):

Referência bibliográfica:

  • Côté-Poirier G, et al. Evaluation of Complications in Postpartum Women Receiving Therapeutic Anticoagulation. Obstetrics & Gynecology: 2020 Ago;136(2):394-401.

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