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osteoartrite de joelho

Exercícios do quadril e osteoartrite de joelho: entenda a relação

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Dor, rigidez articular e capacidade reduzida para as atividades do dia a dia são as consequências de uma condição que atinge uma em cada quatro pessoas acima dos 55 anos de idade. Estamos falando da osteoartrite de joelho (OAJ): uma doença que pode afetar ossos, cartilagens e meniscos, sendo a principal causa de dor e limitações físicas entre os adultos.

Com o aumento da obesidade e o envelhecimento populacional, a prevalência da OAJ deve aumentar, com crescente impacto nos sistemas de saúde. Assim, para redução do impacto social e de custos em saúde, medidas de prevenção primária (reduzir prevalência) e secundária (melhorar sintomas) são imprescindíveis.

O atual conhecimento para prevenção secundária é de que (1) o uso de AINEs (anti-inflamatórios não esteroidais) estão associados efeitos moderados na dor a curto prazo e (2) que exercícios resistidos de alta intensidade para fortalecer o quadríceps (e consequente aumento da sua força) apresentam benefícios para os pacientes com OAJ, resultando em melhor capacidade física funcional e melhoria dos sintomas.

Quadril e a osteoartrite de joelho

Seguindo na abordagem da reabilitação física, uma metanálise publicada em 2016 constatou que pacientes com OAJ apresentam fraqueza dos músculos do quadril, especificamente os abdutores, fato esse associado também à progressão da doença. A musculatura abdutora do quadril é responsável pela manutenção da estabilidade da fase de alternância da pisada no plano frontal (eixo transverso), controlando a adução do quadril nesta fase da marcha, logo, com menor sobrecarga na porção medial do joelho.

Com este conhecimento, associado a evidências de que pacientes com maior força dos quadris apresentam menor progressão da OAJ, um grupo de estudos australiano avaliou, através de revisão sistemática e metanálise, para o curto prazo, a efetividade da adição de exercícios para o quadril ao programa de exercícios para o quadríceps em pacientes com OAJ sintomática e seu impacto na qualidade de vida, redução da dor e melhora funcional.

Os achados do estudo foram os seguintes:

• Exercícios resistidos de baixa intensidade, ou mesmo de alta intensidade, apresentaram importante efeito sobre a caminhada, o equilíbrio e na mudança de posição de sentado para ortostase (em pé). Fortalecer a musculatura do quadril, especialmente os abdutores, pode melhorar o “drop” pélvico contralateral e controle do tronco durante a alternância da pisada, o que reduziria a adução do joelho (valgo dinâmico) e, portanto, menor sobrecarga no seu compartimento medial. Isso explicaria a melhora na caminhada de forma geral e ainda mais benefícios para o dia a dia dos pacientes com OAJ medial.

• Há evidências de que ganhos de aproximadamente 20% na força abdutora do quadril é capaz de promover ainda mais melhorias na funcionalidade referida do paciente.

• Exercícios neuromusculares demonstraram benefícios sobre a caminhada, mudança da posição sentada para em pé e subir/descer escadas. Além disso, esse tipo de exercício parece ter efeitos psicossociais positivos (reduz o medo de se mover e aumenta a autossuficiência).

Dessa forma, médicos devem considerar o tipo prescrito de exercícios para o quadril, incluindo componentes resistidos, com o intuito de melhorar o desfecho da OAJ quando se comparado ao uso isolado de exercícios para o quadríceps.

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Referências:

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