Página Principal > Colunistas > Fissura anal: nem tudo que sangra é hemorroida
medica explicando a paciente sobre seu diagnóstico

Fissura anal: nem tudo que sangra é hemorroida

Tempo de leitura: 2 minutos.

O sangramento anal é a causa de cerca de 80% das consultas em meu consultório. Normalmente, as pessoas vêm muito assustadas, porque, em geral, têm esse sintoma há algum tempo, mas ele apresenta piora recente.

A fissura anal ocorre igualmente em homens e mulheres, principalmente os mais jovens (com menos de 40 anos), mas pode acontecer em qualquer idade.

A causa mais comum da fissura é o aumento da consistência das fezes, gerando trauma local. Dessa forma, a musculatura se contrai, reduzindo a perfusão de sangue no local, sendo assim, a ferida não consegue cicatrizar e há uma continuidade dos sintomas. Outras causas bem menos comuns são Doença de Crohn, trauma (não relacionado a evacuação), tuberculose (porque tuberculose pode acometer qualquer parte do corpo), câncer e duas que têm ganhado muito espaço recentemente: HIV e sífilis.

Os principais sintomas da fissura anal são: dor após a defecação, que, em geral, estende-se por cinco minutos e sangramento anal vivo. Outro sintoma frequente é o prurido anal.

O diagnóstico é clinico, ou seja, não precisa de exames complementares, pois a história dos pacientes é bem característica. No exame físico proctológico, durante a inspeção, podemos visualizar a fissura. Na inspeção, normalmente é encontrado o plicoma anal, adjacente à fissura. Esse plicoma muitas vezes é erroneamente diagnosticado como hemorroidas. Durante o toque retal, nota-se uma depressão na região perianal, que normalmente simula o sintoma de dor que o paciente sente durante a evacuação. O dedo de luva pode apresentar sangramento após o toque.

O tratamento é baseado no tratamento da causa, com aumento das fibras alimentares e ingestão de água; banho de assento; anestésico tópico e anti-inflamatórios orais. Cerca de 50% dos pacientes melhoram apenas com essas medidas simples.

Para aqueles que não melhoram com as medidas anteriores, podemos associar alguns relaxantes esfincterianos, que reduzem a pressão local, aumentando o fluxo sanguíneo e, consequentemente, promovendo a cicatrização. Há várias classes de medicamentos que podem ser usados para isso. Esse tratamento é conhecido como esfincterotomia química. A mais comum é de bloqueadores do canal de cálcio, mas dependendo do caso, podemos usar outras substancias, como a toxina botulínica (isso mesmo, aquela que tira rugas).

O tratamento clínico é mantido por oito semanas. Caso o paciente não apresente melhora, há a indicação cirúrgica para resolver o problema. Podem ser realizadas técnicas, mas a mais utilizada é a esfincterotomia, que consiste em secção parcial do esfíncter interno. O objetivo da cirurgia é reduzir essa pressão do esfíncter de uma forma mais definitiva. Assim vemos que não podemos classificar todos os sangramentos anais vivos como “hemorroidas”!

Autora:

Referências:

  • Corman’s Colon and Rectal Surgery (COLON AND RECTAL SURGERY (CORMAN))
  • The ASCRS Textbook of Colon and Rectal Surgery

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.



Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.