IM/ACP 2021: confira as principais revisões apresentadas no congresso de Medicina Interna

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O mês de abril foi recheado de congressos importantes para a Medicina. Na área clínica, não podíamos deixar de acompanhar o Internal Medicine Meeting (IM/ACP 2021), maior congresso de Medicina Interna, realizado pelo American College of Physicians (ACP).

No evento, foram realizadas revisões de abordagens importantes no ambiente hospitalar, como emergências hipertensivas e intoxicações agudas, e no ambulatorial, como screening cardiovascular e tratamento preventivo de migrânea, além da apresentação de alguns estudos recentes interessantes, como o uso do kiwi para constipação.  Algumas diretrizes também receberam destaque, como o rastreio de câncer colorretal e o manejo de pacientes diabéticos na internação.

Confira os principais temas!

médico de medicina interna atendendo paciente

IM/ACP 2021

O uso medicinal da cannabis foi tema de palestra ministrada pela diretora de Cuidados Paliativos da Universidade do Arizona, Dra. Bree Johnson. As evidências atuais, que mostram seus benefícios, estão ligadas à dor neuropática, espasticidade na esclerose múltipla, distúrbios do sono, náuseas e vômitos associados à QT, ganho de peso no paciente HIV e convulsões refratárias. Veja mais aqui.

No último dia de congresso, a Amy S. Oxentenko da Mayo Clinic fez um levantamento das principais atualizações em gastroenterologia para o clínico. Entre elas, esteve o rastreio do câncer colorretal, que teve atualizações em 2021: recomenda-se a triagem em indivíduos de risco médio entre as idades de 50-75 anos. O segundo tópico de destaque foi um estudo que apontou que o consumo de kiwi pode ajudar pacientes com constipação intestinal. Confira os detalhes.

Na palestra realizada pela professora assistente da Harvard Medical School, Rebecca Burch, ela revisou a principal abordagem das cefaleias primárias, em especial a tensional e a enxaqueca. Ela lembra que cefaleia recorrente e incapacitante e sem red flags tem grandes chances de ser enxaqueca e não há indicação de imagem. Como novidades na abordagem da cefaleia aguda, temos os gepants, ditans e a neuromodulação. Saiba mais aqui.

Na mesma sessão, Rebecca abordou o tratamento preventivo dessas cefaleias. Ela destacou que é necessário considerar eficácia, acesso, comorbidades, efeitos colaterais e contraindicações no momento de escolher a profilaxia. Os anticorpos monoclonais são novas opções de tratamento preventivo para enxaqueca, mas na prática não são as medições de primeira linha. Veja os detalhes.

A abordagem da dor musculoesquelética aguda, com exceção da dor lombar, foi revisada por Devan Kansagara, da Oregon Health and Science University. Segundo o estudo e guidelines apresentados, o uso de AINES tópicos foi recomendado como primeira linha. Outras opções são AINES orais, paracetamol, acupuntura e estimulação elétrica transcutânea; opioides não são devem ser considerados na dor aguda. Saiba mais!

Donald M. Lloyd-Jones da Northwestern University Feinberg School of Medicine abordou, no evento, o screening cardiovascular. Segundo a palestra, a estimativa de risco cardiovascular em dez anos pode dar suporte às decisões, mas não são definidores de prescrição individualmente. Mesmo na aplicação dos scores para tomada de decisão, e necessário pensar individualmente nos fatores de risco. Um fluxograma proposto pode ser encontrado em nosso texto.

Outro tipo de dor também teve uma revisão de manejo no evento, dessa vez a dor crônica, realizada pelo professor de Anestesia e Terapia Intensiva da University of Pensylvania, Michael Ashburn. O palestrante lembra que o tratamento da dor crônica deve avaliar várias esferas, tendo foco no paciente e na sua experiência de sofrimento, não apenas em nociceptores. O tratamento multimodal deve ser um ponto central (anestésicos locais, analgésicos não opioides, opioides em uso curto). Veja mais detalhes.

No primeiro dia de evento, que também foi realizado virtualmente, foram abordadas estratégias para o exame físico à distância. A palestrante destacou que  é importante instruir o paciente sobre como será realizada a consulta previamente e vale a pena envolver o acompanhante no exame físico, além de demonstrar na prática como realizar as manobras e exames. Saiba mais. 

Contexto hospitalar

Algumas sessões destacaram abordagens hospitalares. Confira os destaques!

Sobre pacientes diabéticos, a endocrinologista chefe da Divisão de Endocrinologia, Metabolismo e Diabetes da Universidade de Mississippi, dra. Lillian Lien abordou algumas questões principais. Segundo ela, a adequada suspensão de hipoglicemiantes orais e administração de insulinas pode reduzir o tempo de internação desses pacientes e também promover impacto na morbimortalidade. Veja os detalhes da abordagem.

Na mesma conferência, a dra. Lillian Lien apresentou as principais recomendações do guideline da American Diabetes Association para controle glicêmico e manejo de insulina e outros medicamentos no perioperatório. Veja mais.

A chefe do Centro de Intoxicações de New Jersey, EUA, dra. Diane Calello (New Jersey Medical School), apresentou algumas intoxicações com mais destaque, mas reforçou que os centros de assistência toxicológicas devem sempre ser consultados para auxiliar no diagnóstico e manejo da intoxicação. Outros pontos importantes: nos casos de intoxicação por monóxido de carbono, o tratamento é O2; na intoxicação por metformina, lembrar da acidose láctica associada à metformina (MALA), que é complicação temida. Veja mais aqui.

A palestra de ultrassom à beira-leito (POCUS) teve como objetivo apresentar as principais atualizações e recomendações da guideline do ACP. O palestrante lembrou que a utilidade do POCUS vai variar de acordo com a doença pesquisada (exemplo: boa acurácia para edema agudo pulmonar e derrame pleural). Em pacientes clinicamente instáveis, o uso da ultrassom não deve atrasar o manejo terapêutico a partir de resultados de outros testes diagnósticos disponíveis. Veja os demais pontos aqui.

Por fim, a palestra do professor George Bakris (University of Chicago) trouxe atualizações relacionadas ao manejo terapêutico das urgências e emergências hipertensivas, assim como estratégias na transição da terapia anti-hipertensiva no momento da alta desses pacientes. Ele lembra que o tratamento intra-hospitalar adequado é fundamental para evitar a progressão das lesões de órgão-alvo e revertê-las. Veja os detalhes aqui.

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