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Mesmo após Covid-19 leve a moderado, alterações subclínicas de funções orgânicas podem acontecer

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A Covid-19 grave pode afetar diversas funções orgânicas. A apresentação pode envolver disfunções pulmonares, cardíacas e renais, além de quadros como tromboembolismo. Nos sobreviventes à Covid-19 grave, a literatura já começa a descrever a Síndrome Pós-Covid ou “Long Covid”. Tal condição refere-se aos sintomas persistentes ou novas incapacidades que podem surgir nos sobreviventes da doença grave.

Uma dúvida ainda existente na literatura é como os sobreviventes a quadros leves a moderados (internados ou não no hospital) podem ser impactados pela Covid-19 a médio e longo prazo. Nesse contexto, foi publicado o estudo “Multi-organ assessment in mainly non-hospitalized individuals after SARS-CoV-2 infection: The Hamburg City Health Study COVID programme”, em janeiro de 2022, no European Heart Journal.

Leia também: Atualização no tratamento da Covid-19 ambulatorial

, alterações subclínicas de funções orgânicas podem acontecer

Sobre o estudo

O objetivo central do estudo foi avaliar a função específica de múltiplos órgãos em pacientes sobreviventes à Covid-19 leve à moderada (aqueles que não necessitam de internação em unidade de terapia intensiva), em aproximadamente 9 meses após a doença aguda (Covid-19). O estudo envolveu duas coortes para comparação (pós-Covid x controles não Covid).

A primeira coorte foi formada por pacientes pós-Covid-19, com RT-PCR para SARS-CoV-2 positivo, obtido entre março e dezembro de 2020, pelo menos 4 meses antes da inclusão no estudo. A coorte de controle foi composta por pacientes do Hamburg City Health Study (HCHS), um grande estudo de coorte prospectivo ainda em andamento sobre doenças crônicas, iniciado em 2016. Para entrarem no estudo como controles, foram selecionados pacientes entre novembro de 2016 e abril de 2019, ou seja, período no qual os pacientes não estavam sob risco de infecção pela Covid-19.

Avaliação sobre funções orgânicas

O estudo levou em consideração os seguintes testes para avaliar cada tipo de função orgânica específica.

  • Função pulmonar: avaliada por pletismografia corporal (resistência de vias aéreas e volume pulmonar estático) e espirometria;
  • Função cardíaca: avaliada por Ecocardiograma Transtorácico;
  • Função vascular: avaliada pela compressão por ultrassom das veias femorais comuns (direita e esquerda);
  • Função neurológica: avaliada através de ressonância nuclear magnética;
  • Função cognitiva: avaliada através do Exame MIni-Mental para screening de demência ou disfunção cognitiva.

Em relação aos desfechos de qualidade de vida e associados ao paciente, foram avaliadas escalas como EQ-5D (EuroQoL Five Dimensions), PHQ-9 e PHQ-15 (Patient Health Questionnaire).

  • Parâmetros laboratoriais avaliados: contagem global de leucócitos, proteína C-reativa, hemoglobina glicada, entre outros exames de rotina.

A função glomerular também foi avaliada pela CKD-EPI.

Resultados

Foram incluídos um total de 1.771 participantes no estudo. O grupo pós-Covid contou com 443 pacientes, enquanto o grupo controle com 1.328 pacientes. Os participantes do grupo pós-Covid e seus controles pareados eram comparáveis quanto aos dados sócio-demográficos, sinais vitais, antropometria, histórico clínico e fatores de risco.

Na coorte pós-Covid, 92,8% pacientes foram manejados como ambulatoriais, sendo 3,2% de assintomáticos, 58,4% de casos leves e 31,2% de casos moderados. A hospitalização foi necessária (sem indicação de UTI) em apenas 7,2%. A mediana de tempo após resultado positivo de SARS-CoV-2 à inclusão no estudo foi de 9,6 meses.

Achados específicos por função orgânica de forma comparativa (grupo Covid x grupo controle):

  • Menor volume pulmonar (p=0,014) e maior resistência de via aérea (p=0,001) na coorte pós-Covid;
  • Maior concentração de marcadores cardíacos como troponina e BNP (p ≤ 0,01), além de ligeira redução nas funções ventriculares direita e esquerda) p =0,015);
  • Trombose venosa profunda foi mais frequente no grupo pós-Covid (p < 0,001);
  • Houve redução da função glomerular (p = 0,019);
  • A função cognitiva não foi afetada, assim como não houve diferença entre achados estruturais neurológicos;
  • Em relação à qualidade de vida, depressão, sintomas somáticos ou ansiedade generalizada, não houve diferença estatisticamente significativa entre o grupo pós-Covid e o grupo controle.

Discussão 

  • O estudo mostra que, mesmo nos pacientes com menor severidade (mais de 90% eram ambulatoriais) e sem manifestação evidente de sintomas no pós-Covid, alterações subclínicas em diversas funções orgânicas foram evidenciadas;
  • Mesmo que o paciente não apresente alterações na sua qualidade de vida ou função neurocognitiva no pós-Covid, disfunções orgânicas subclínicas podem estar presentes;
  • O impacto de tais achados em desfechos a longo prazo ainda não é conhecido, no entanto, devemos considerar uma avaliação padronizada de tais condições no período pós-Covid; 

Saiba mais: Presença de autoanticorpos no “long Covid”

Conclusão dos autores 

Pacientes que, aparentemente, recuperaram-se de casos leves a moderados de infecção pelo SARS-CoV-2, apresentaram sinais de alterações subclínicas multiorgânicas relacionadas às funções pulmonar, cardíaca, trombótica e renal, sem sinais de dano estrutural cerebral, neurocognitivo ou impacto na qualidade de vida. 

Mensagens Práticas

  • Na minha análise, o estudo coloca uma nova visão sobre o pós-Covid. Sintomas persistentes, alterações evidentes na função cognitiva ou na capacidade funcional tendem a ser mais valorizados, principalmente pela natureza da gravidade da doença inicial que gerou tais “sequelas”, assim como pelo grau de morbidade associada;
  • No entanto, a visão agora se torna mais ampla: mesmo nos pacientes que tiveram Covid leve a moderado (92,8% eram ambulatoriais) e que não apresentam clínica de sintomas persistentes ou declínio funcional, podem ocorrer alterações subclínicas de importantes funções;
  • Devemos ter cuidado com a investigação diagnóstica exagerada nesse perfil de pacientes, mas também entender que alterações subclínicas nas funções orgânicas acontecem e podem ter algum impacto no futuro.

Referências bibliográficas:

  • Petersen EL, et al. Multi-organ assessment in mainly non-hospitalized individuals after SARS-CoV-2 infection: The Hamburg City Health Study COVID programme. European Heart Journal. 2022; ehab914. doi: 10.1093/eurheartj/ehab914
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