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OMS retoma testes com hidroxicloroquina para Covid-19

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No mesmo dia que o The Lancet publicou uma nota de preocupação dizendo que está realizando uma auditoria no estudo da hidroxicloroquina para Covid-19, que envolveu mais de 96 mil pacientes, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que retomará os testes com a droga para a doença pelo novo coronavírus.

A decisão, compartilhada em entrevista coletiva hoje, 3, foi baseada nas evidências atuais sobre mortalidade envolvendo a hidroxicloroquina e a cloroquina. Apesar da liberação, o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, reforçou que o Conselho de Monitoramento de Segurança de Dados, do Grupo Executivo do projeto SOLIDARITY, vai continuar atento e acompanhando os estudos. Mas neste momento, a recomendação dos membros do comitê é que “não há motivos para modificar o protocolo”.

A cloroquina é uma das substâncias consideradas promissoras para o tratamento, por isso entrou no projeto SOLIDARITY da OMS, em março deste ano, um estudo colaborativo mundial para avaliar a ação das principais drogas no tratamento da Covid-19. Até o momento, mais de 3.500 pacientes foram recrutados em 35 países.

Falhas no estudo da hidroxicloroquina para Covid-19

A suspensão dos testes com a droga aconteceu no último dia 25, após a divulgação de um estudo observacional, envolvendo mais de 670 hospitais em seis continentes, avaliando o uso de cloroquina ou hidroxicloroquina com ou sem um macrolídeo em pacientes hospitalizados por Covid-19 de dezembro de 2019 a abril deste ano.

Esta semana, porém, um grupo de mais de cem especialistas publicou uma carta aberta ao The Lancet com diversos pontos de preocupação sobre a análise publicada. Entre os questionamentos está o tratamento dos dados, que não foram publicados para que possam ser analisados pelo restante da comunidade científica, e a ausência de revisão por comitê de ética.

Também foi levantado o fato de as doses diárias médias de hidroxicloroquina terem sido 100 mg mais altas que a recomendada pela Food and Drug Administration (FDA), enquanto 66% dos dados são de hospitais norte-americanos.

Após a repercussão das possíveis falhas, o The Lancet publicou na última sexta-feira, 29, uma correção, alterando o número de pacientes analisados na Ásia e na Austrália, mas não alterou os resultados principais do estudo. Hoje, porém, o periódico publicou uma nova nota, manifestando preocupação com as questões científicas levantadas e anunciou que o estudo está passando por uma auditoria.

Leia também: Covid-19: principais recomendações do novo protocolo de tratamento do Ministério da Saúde

Hidroxicloroquina e cloroquina

O uso da cloroquina e hidroxicloroquina na Covid-19 ainda é muito contraditório. O Ministério da Saúde autoriza o uso dos mesmos em seus protocolos, tanto em casos graves, quanto em casos leves. Mas algumas associações médicas se manifestaram contra o uso generalizado, considerando que são drogas mais indicadas em ambientes controlados, como ensaios clínicos. O principal motivo do posicionamento são os efeitos colaterais que esses medicamentos podem ter, que precisam ser monitorados pelos médicos.

Esta semana, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) também emitiu uma nota contrária ao uso. Segundo a SBP, após extensa busca na literatura disponível sobre Covid-19, não foram observados estudos clínicos, randomizados e controlados que apresentem resultados consistentes e favoráveis à administração de cloroquina ou hidroxicloroquina, sejam eles associados ou não a antibióticos macrolídeos, tanto para a população de pacientes adultos quanto de pacientes pediátricos.

Por enquanto, mais estudos são necessários para avaliar a eficácia contra a doença.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referências bibliográficas:

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