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Pacientes com queixas oculares em tempos de Covid-19 

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O diagnóstico da Covid-19 pode ser difícil em muitos casos já que não existem sintomas patognomônicos da doença. Muitos sintomas foram frequentemente reportados como tosse, febre, fadiga, dor de garganta, obstrução nasal, cefaleia, falta de ar e até hemoptise. Alguns pacientes tem sintomas gastrointestinais como diarreia, dor abdominal, perda de apetite e até vômitos, enquanto outros tem sintomas renais e oculares. As manifestações oculares reportadas foram muito variáveis e incluíram olho seco, sensação de corpo estranho, prurido ocular, embaçamento visual, conjuntivite, quemose e fotofobia. Alguns estudos mostraram casos de conjuntivite como sinal precoce da Covid-19.

Leia também: Perda visual monocular em paciente com Covid-19

Pacientes com queixas oculares em tempos de Covid-19 

Revisão recente

Um artigo publicado em janeiro desse ano na Journal of Ophthalmic & Vision Research reuniu as publicações relevantes sobre manifestações oculares na Covid-19. Das 895 publicações acessadas, 38 estudos foram incluídos nessa revisão: 13 relatos de caso, 6 estudos de séries de casos, 19 estudos transversais. Um total de 8.219 pacientes com Covid-19 foram incluídos nesses estudos. A prevalência total de manifestações oculares nos 19 estudos transversais foi de 11,03%. As manifestações oculares mais prevalentes foram olho seco e sensação de corpo estranho (16%), hiperemia ocular (13.3%), dor ocular (9.6%), secreção (8.8%). A doença ocular mais prevalente foi a conjuntivite (88,8%). Outras condições mais raras como a ceratite (2,2%), episclerite (2,2%), ceratoconjuntivite (2,2%), hordéolo (2,2%), pingueculite (1,1%), neuropatia óptica isquêmica posterior (1.1%) também foram reportados.

Saiba mais: Oclusão de veia central da retina bilateral associada à Covid-19

Esse estudo mostrou que aproximadamente um em dez pacientes com Covid-19 incluídos no estudo tiveram pelo menos uma manifestação ocular. Apesar dessas manifestações não serem frequentes, elas devem ser observadas. Esses achados são comparáveis aos encontrados em outros coronavírus. Vabret et al em um hospital francês em 2002-2003 reportaram manifestações oculares em 16% dos pacientes. O mecanismo do olho seco durante a epidemia é desconhecido mas uma maior frequência também pode ocorrer devido ao uso de máscaras. Em pessoas já com sintomas, isso pode se acentuar ainda mais.

Mensagem prática

Durante a pandemia, oftalmologistas e clínicos devem sempre considerar a infecção por Covid-19 um potencial diagnóstico caso encontrem sintomas oculares ou conjuntivite, especialmente se houver outra manifestação. A incidência dos sintomas oculares pode ocorrer poucas horas a dias antes do início de outros sinais sistêmicos. Oftalmologistas estão sob um risco aumentado de se infectar por Covid-19 pela proximidade com os pacientes.

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Referências bibliográficas:

  • Nasiri N, Sharifi H, Bazrafshan A, Noori A, Karamouzian M, Sharifi A. Ocular Manifestations of Covid-19: A Systematic Review and Meta-analysis. J Ophthalmic Vis Res. 2021;16(1):103-112. doi.: 10.18502/jovr.v16i1.8256

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