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Podemos administrar noradrenalina em acesso venoso periférico?

Tempo de leitura: 2 minutos.

Para quem atende paciente grave o uso de vasopressores, como a noradrenalina, é de todos os dias, porém nem sempre o doente tem um acesso central pronto para utilizar. Nós aprendemos que a nora (e outros vasopressores como dopamina) tem risco de causar lesões cutâneas por extravasamento se for infundida em acesso periférico, e muitas vezes ficamos com ‘’medo’’ de iniciar ou manter a infusão sem ter um acesso central pego. O interessante é que nos últimos anos vem se falando cada vez mais que talvez os vasopressores são mais seguros do que pensávamos.

  • Os vasopressores podem ser administrados em acesso venoso periférico? Sim!
  • Será que os vasopressores são mais seguros do que pensávamos? Sim!

Segurança dos vasopressores

Estudos publicados no Journal of Hospital Medicine em 2015, Journal of Critical Care em 2013 e Jornal of Intensive Care Medicine em 2017 mostram que os vasopressores (nora, dopa, epinefrina, fenilefrina) foram utilizados em acessos venosos periféricos por várias horas (com uma duração media de 7 horas para a nora, sendo utilizado inclusive por 24h ou mais tempo ainda, sem problemas maiores). A nora foi utilizada em concentrações de 16mcg/ml na maioria dos pacientes, mas também em concentrações de até 64mcg/ml (a mais utilizada no nosso meio).

É importante ressaltar que esses estudos foram rigorosamente protocolizados, os acessos venosos foram pegos com ultrassom, as veias eram boas (mais de 4mm), não foi recomendado utilizar acesso na mão, no pé, nem no punho, foi utilizado acesso calibroso (abocath 18-20), foi checado sinais de extravasamento a cada 2 horas e tinham antídotos caso acontecesse extravasamento, porém, o extravasamento foi muito raro, e quando aconteceu, as lesões cutâneas não foram graves (hiperemia, edema local) e foi manejado simplesmente com troca do acesso periférico e medidas locais.

Então, let’s take home some messages:

  • Podemos nos sentir seguros ao iniciar nora (e outros vasopressores) em acesso periférico e manter a infusão pelo menos até estabilizar o paciente.
  • Não precisamos entrar em desespero para pegar acesso venoso central numa situação critica ou de emergência (passar um central na correria pode ser muito pior que iniciar nora em periférico)
  • Antes de pegar o central é importante estabilizar, repor a volemia.
  • Usar acesso venoso calibroso (abocath 18-20), não usar acesso na mão nem no pé, nem no punho.
  • Checar por sinais de extravasamento, pelo menos a cada 2 horas, caso ainda não possamos pegar um central.
  • Conhecer como tratar as complicações do extravasamento, caso acontecer (assunto do próximo artigo).

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Autor:

Rodrigo Nicolas Veller

Médico Plantonista do Pronto-Socorro – Rio Grande do Sul ⦁ Membro efetivo da ABRAMEDE (Associação Brasileira de Medicina de Emergência) e da ABEM (Associação Brasileira de Educação Médica) ⦁ Palestrante de diversos Congressos Internacionais de Medicina de Emergência (Argentina, Paraguai, Peru, Bolívia e outros) ⦁ Videoaulas e Atividades Didáticas Online de alta relevância na América Latina (YouTube – Dr. Veller) ⦁ Graduação em Medicina na Argentina (Instituto Universitário de Ciências da Saúde) – Diploma revalidado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul/UFRGS ⦁ Ex-Professor de Semiologia Médica, Fisiopatologia Humana e Anatomia Patológica na Argentina (Instituto Universitário de Ciências da Saúde) ⦁ Residente de 2º ano de Clínica Médica da Universidade Federal de Santa Maria – RS ⦁ Membro da equipe de Coordenação de Protocolos Médicos do Pronto-Socorro do Hospital Universitário da UFSM – RS ⦁ Especialização em Medicina de Família e Comunidade pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre

Referências:

  • Safety of the Peripheral Administration of Vasopressor Agents. Journal of Intensive Care Medicine 2017.
  • Safety of peripheral intravenous administration of vasoactive medication. J Hosp Med 2015.
  • Central or Peripheral Catheters for Initial Venous Access of ICU Patients: A Randomized Controlled Trial by Ricard JD et al.
  • Medlej K et al. Complications from Administration of Vasopressors Through Peripheral Venous Catheters: An Observational Study. JEM 2018.

Um comentário

  1. Sudivan vieira

    Complicado atender todos estes critérios em especial a punção guiada. Ainda mais que a maioria dos profissionais não tem conhecimento técnico para realizar este procedimento guiado. O que nos remete aos problemas graves que temos com pacientes devido ao extravasamento como isquemia de mmss.

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