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Primeiro estágio de trabalho de parto e morbidade materna

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O trabalho de parto envolve uma sequência de eventos que põe à prova a capacidade médica, paciência da equipe médica, paciência e calma da paciente e acompanhante. Mesmo tratando-se de um evento fisiológico, alguns desvios da normalidade podem acontecer e colocar em risco a parturiente, o feto ou ambos.

Com vistas a avaliar a correlação entre a evolução prolongada do primeiro estágio do trabalho de parto (dilatação) e as possíveis complicações puerperais para a mãe e o feto, este estudo retrospectivo do American Journal of Obstetrics and Gynecology, envolvendo 6.823 mulheres durante cinco anos (2010 a 2015), avaliou morbidades maternas e fetais de acordo com a evolução da fase de dilatação.

Características da morbidade materna

  • Segundo estágio trabalho de parto prolongado;
  • Laceração perineal de 3º e 4º graus;
  • Febre materna;
  • Hemorragia;
  • Necessidade de transfusão;
  • Endomiometrite.

As morbidades neonatais foram caracterizadas pela presença de:

  • Terapia hipotérmica;
  • Necessidade de ventilação mecânica;
  • Desconforto respiratório;
  • Síndrome de aspiração meconial;
  • Trauma ou injúria no parto;
  • Convulsão neonatal;
  • Sépsis neonatal.

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Análises

Durante os seguimentos dos trabalhos de parto foram avaliadas as curvas de evolução dos mesmos, e comparadas aos percentis de 90,95 e 97% das evoluções para avaliar se as parturientes evoluíam de forma semelhante.

Das 6.823 pacientes avaliadas, 682 tiveram antecipados os partos porque estavam abaixo da curva de 90% de evolução. Essas pacientes e seus neonatos evoluíram com quase duas vezes mais morbidades puerperais do que as outras pacientes que aguardam a evolução do parto.

Conclusão

O estudo conclui que as curvas de evolução para partos normais (equivalente ao nosso partograma no Brasil) têm um valor preditivo apenas moderado para predizer que uma evolução fora do padrão pode levar à morbidade materna no parto, puerpério ou morbidade neonatal. Ainda faz referência que aguardar uma evolução para parto normal, estando a paciente com uma curva acima do percentil 90, pode ser benéfico em relação a uma cesariana com suas morbidades aumentadas para a mãe e o feto.

Finalizando, temos que entender que o parto normal, ainda que evolua de forma mais lenta, precisa de paciência, calma, experiência de toda a equipe envolvida e da paciente e seus acompanhantes para que o desfecho seja mais favorável para a mãe e o recém-nascido que uma cesárea mal indicada.

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Autor:

Referência bibliográfica:

  • Blankenship SA, Raghuraman N, et al. Association of abnormal first stage of labor duration and maternal and neonatal morbidity. American Journal of Obstetrics and Gynecology. 2020;223(3):P445.E1-445.E15 – September 01, 2020.

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