Quais são os limites da persuasão e coerção quando o paciente se recusa a ser vacinado?

Mesmo com vacinas disponíveis no mercado – e muitas vezes de graça -, pessoas com medo de possíveis efeitos colaterais se recusam a serem vacinadas.

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Nos últimos anos, diversos países experienciaram surtos de infecções, como sarampo e febre amarela. Mesmo com vacinas disponíveis no mercado – e muitas vezes de graça -, pessoas com medo de possíveis efeitos colaterais se recusam a serem vacinadas, contribuindo para a queda na imunização da população.

Durante os séculos XIX e XX, diversos países, como Brasil e EUA, estabeleceram leis de vacinação obrigatória. Aqui no país, o fato gerou um dos acontecimentos mais marcantes na saúde no Rio de Janeiro: a Revolta da Vacina. Apesar de ser uma prática polêmica, a obrigatoriedade trouxe resultados positivos, erradicando doenças como a varíola.

Com o passar dos anos, a coerção foi dando lugar à persuasão, com o surgimento de formas modernas da mídia de massa. Profissionais de saúde e o governo passaram a apostar na comunicação para mostrar às pessoas a importância da imunização.

Veja também: ‘Estudo analisa relação entre vacinação e doença neurológica desmielinizante’

Essa abordagem, menos restritiva, é considerada eticamente preferível e mais politicamente aceitável. Em contrapartida, demanda mais tempo e mais mão-de-obra. Evidências indicam que, por si só, é ineficaz.

Desde a década de 1950, pesquisadores têm tentado entender por que as pessoas aceitam ou recusam a vacinação para si e para seus filhos. A recusa da vacina é um fenômeno heterogêneo, que reflete um conjunto diverso e complexo de atitudes e crenças, incluindo desconfiança das elites médicas e científicas, resistência à autoridade governamental e adesão à crenças “naturais” ou alternativas.

Uma melhor compreensão dessas crenças é um passo crítico na elaboração de mensagens mais eficazes que podem ser entregues através de canais de mídia ou em encontros individuais com profissionais de saúde. Mas, devido à complexidade da hesitação e aos muitos vieses e atalhos cognitivos que as pessoas usam para avaliar e tomar decisões sobre o risco, este é um desafio sem previsão de chegar ao fim.

E mais: ‘Estudo analisa relação entre infecção por influenza na gestação, vacina e risco de autismo’

A Dra. Ana Carolina Pomodoro, pediatra e colunista da PEBMED, fala sobre o problema:

“Os últimos anos têm sido marcados por numerosos surtos de infecções, consumindo verbas da saúde pública, devido à queda na imunidade de rebanho provocada pela recusa da vacina em diversos locais. A internet tem sido um instrumento tanto de informação quanto de desinformação, sendo palco de diversos debates polarizados entre os que defendem e os que condenam as vacinas.

Com isso, as autoridades em saúde pública enfrentam um dilema em relação à recusa da vacina e precisam apresentar equilíbrio entre o uso de métodos coercitivos (usados há décadas) e abordagens persuasivas, usando a publicidade como aliada. Entre diversas atitudes e crenças relacionadas à vacinação, uma que tem causado bastante polêmica, mesmo no meio médico, é a sua relação com o desenvolvimento/abertura do quadro de autismo.

É necessário que os profissionais de saúde e as autoridades olhem essa questão de forma diferenciada, dando valor aos estudos desenvolvidos de forma séria e criteriosa, para que não venhamos a regredir para patamares baixos de prevenção de importantes doenças”, finaliza Dra. Ana.

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Referências:

  • Vaccine Refusal Revisited — The Limits of Public Health Persuasion and Coercion. Colgrove J. New England Journal of Medicine, 2016 – vol: 375 (14) pp: 1316-1317. DOI: 10.1056/NEJMp1608967
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