Página Principal > Colunistas > Residência Médica em Infectologia no HUCFF/UFRJ: prós e contras
Residência Médica

Residência Médica em Infectologia no HUCFF/UFRJ: prós e contras

Tempo de leitura: 3 minutos.

A infectologia provavelmente é uma das especialidades mais amplas da Medicina. Abrange desde o diagnóstico e manejo de infecções agudas, a vigilância, prevenção e tratamento de infecções hospitalares, ao acompanhamento de infecções crônicas, como pelo vírus do HIV. Compreende também áreas menos conhecidas, como Medicina de Viagem e Vigilância Epidemiológica.

É uma área que tem uma parte social muito presente, já que muitas doenças infecciosas estão relacionadas às condições socioeconômicas, afetando prioritariamente uma camada mais pobre da população. Outras doenças, por outro lado, ainda são muito estigmatizadas, trazendo uma carga psicológica adicional aos pacientes.

Organização da Residência Médica no HUCFF

A residência de Infectologia tem duração de três anos. O primeiro ano é principalmente voltado para treinamento em Clínica Médica. No HUCFF, cada residente fica responsável por um ambulatório fixo à tarde durante os três anos. Além disso, temos uma tarde de plantão em que ficamos responsáveis pelos pacientes da enfermaria e por eventuais atendimentos na Emergência. As atividades da manhã variam de acordo com o ano de residência e são divididas por “rodadas”, cada uma com duração de um mês.

Leia maisResidência médica em cirurgia geral: o que esperar

R1: a maior parte das atividades no R1 ocorre nas enfermarias, com um mês no CTI. Outras rodadas incluem os laboratórios de análises clínicas (Microbiologia, Micologia, entre outros) e o Programa de Controle de Tuberculose Hospitalar.

R2: além das enfermarias, o R2 acompanha os serviços de Parecer e Consultoria em Transplante. Também tem algumas rodadas externas (fora do HUCFF), nos ambulatórios da Fiocruz e no Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE), além de acompanhar a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar. Além disso, existe um mês de Opcional, no qual o residente escolhe um serviço ligado à Infectologia de seu interesse para acompanhar, o qual pode ser pertencente ao HUCFF ou não, desde que no estado do RJ.

R3: no R3, a carga horária nas enfermarias é menor, enquanto a dos serviços de Parecer, Transplante e CCIH aumenta em relação aos anos anteriores. O R3 também tem duas rodadas opcionais, que podem ser feitas fora do estado do RJ.

Quais os prós?

Residência em hospital geral: o fato do HUCFF ser um hospital geral permite maior contato com outras especialidades. As discussões com os outros serviços são sempre enriquecedoras.

Ambulatório fixo: ter um ambulatório fixo é, a meu ver, uma grande vantagem, pois o acompanhamento do paciente é longitudinal. Isso é importante não só na questão de vínculo médico-paciente, mas também permite ver a evolução clínica dos pacientes ao longo do tratamento.

Casos complexos: por se tratar de um hospital universitário, os casos tendem a ser mais complexos, o que torna a experiência da residência mais rica.

Clube de revista: o Clube de Revista é uma atividade semanal em que há discussão de um artigo recentemente publicado. Além do conteúdo do artigo em si, o objetivo é discutir a metodologia dos estudos e desenvolver a capacidade de leitura crítica da literatura científica. Com tantos estudos sendo publicados a cada semana, entender melhor as diversas metodologias é um diferencial para discriminar o que é relevante e o que não é para a prática clínica.

Quais os contras?

Poucas infecções agudas: a maior parte dos pacientes internados na enfermaria é de pacientes HIV positivos com infecções oportunistas. Os casos de doenças infecciosas agudas, como leptospirose ou meningite, são incomuns, o que muitas vezes não acontece em outras unidades.

Intercorrências clínicas: muitas vezes os pacientes são acompanhados no serviço de Infectologia, mas são internados nas nossas enfermarias por alguma condição não infecciosa. Pra quem não gosta muito de Clínica Médica isso pode ser uma desvantagem.

Infraestrutura: como outros hospitais, o HUCFF sofre com o sucateamento do SUS e com problemas crônicos de infraestrutura.

Minha opinião

Como as doutoras Lívia Boechat e a Carolina Mafra relataram em seus artigos sobre a residência no HUPE e no HNMD, respectivamente, toda residência tem seus prós e contras. Apesar das dificuldades, a residência de Infectologia no HUCFF é uma das melhores e completas no Rio de Janeiro.

Uma boa dica pra quem está na dúvida é conhecer os serviços pessoalmente e conversar com os residentes para esclarecer dúvidas, principalmente os que estão no último ano e podem passar uma visão ais completa da experiência da residência.

Experimente o Whitebook e tenha em mãos todo conteúdo necessário para sua sobrevivência no plantão!

Autor:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.



Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.