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Retorno esportivo após cirurgia para reconstrução ligamentar no joelho

Cirurgia, Colunistas, Medicina Esportiva, Ortopedia
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A ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho é a lesão cirúrgica mais frequente em esportes que envolvem mudanças de direção e contato físico, como no caso do futebol. Se tempos atrás este problema levou ao fim de muitas carreiras promissoras ou já bem consolidadas, hoje em dia a situação é bem diferente. Com a evolução das técnicas cirúrgicas, a probabilidade de retorno no mesmo nível de antes da lesão é bem maior. Ao contrário do que seria de se esperar, porém, o retorno aos gramados tem ocorrido de forma cada vez mais tardia.

No início dos anos 90, Shelbourne et al recomendavam retorno esportivo precoce, “assim que o paciente se sentisse apto para isso”, e por muito tempo foi recomendado o prazo de seis meses para o retorno, sem uma justificativa muito clara para este critério. Hoje em dia, porém, muitos cirurgiões têm retardado o retorno para sete, oito ou até doze meses de pós-operatório.

Quando retornar aos gramados após a lesão?

O primeiro estudo que chamou a atenção para o fato de que muitos atletas estavam retornando de forma precoce ao futebol foi realizado em conjunto por pesquisadores da Noruega e da cidade americana de Delawere, e publicado em 2016 no renomado jornal The British Journal of Sports Medicine. Este estudo demonstrou três fatos importantes:

  • Seis meses após a cirurgia, apenas 14% dos atletas obedeciam a todos os critérios para retorno ao futebol competitivo;
  • Para cada mês de atraso no retorno ao futebol, o risco de uma nova lesão de forma precoce foi reduzindo em 50%, até os nove meses de cirurgia. Atrasar o retorno mais do que nove meses não demonstrou benefício extra;
  • Entre os atletas que retornaram de forma precoce, mas que já obedeciam a todos os critérios para retorno, não foi observado risco aumentado de nova lesão.

Veja também: Crioterapia sistêmica após exercício físico funciona para acelerar recuperação de atletas ou amadores?

Podemos, desta forma, observar que mais importante do que o tempo cronológico, os critérios clínicos para o retorno devem ser obedecidos. Não existe evidência de que um atleta que retorna para o futebol sete meses após a cirurgia, tendo cumprido todos os critérios para retorno, terá um risco maior do que se aguardar até nove ou doze meses de pós-operatório para fazer o retorno. O tempo tem se prolongado sim, mas porque os critérios têm se tornado mais rígidos.

No início dos anos 2000 Roberto Baggio retornou aos gramados apenas três meses de cirurgia, o critério utilizado para liberá-lo foi de que “se sentia apto para jogar”. Hoje, os critérios são muito mais rígidos:

  • A força deve estar equilibrada entre as duas pernas e deve-se ter uma boa relação de força entre a musculatura anterior e posterior da coxa;
  • Testes de agilidade, como o Y test ou o Hop test devem apresentar resultados semelhantes entre os dois membros;
  • Deve realizar ao menos um mês de treinamento não competitivo com bola, com estímulos progressivos;
  • Deve sentir segurança para realizar os gestos esportivos do futebol.

Leia mais: Entorse de tornozelo: como tratar a lesão

A reabilitação para a cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior tem evoluído bastante, permitindo que se atinja estes critérios de forma mais precoce, e de fato alguns atletas profissionais, que já entram muito bem preparados para a cirurgia e que se dedicam integralmente nos melhores centros de reabilitação, conseguem cumprir com todos estes requisitos precocemente, com sete ou oito meses de pós-operatório. Para o atleta de consultório, recreativo, é de se esperar que demore mais, as vezes até mais de um ano para isso.

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