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Na era atual, o uso da tecnologia virtual com os smartphones vem crescendo exponencialmente principalmente entre a população jovem dos 18 aos 49 anos e principalmente após a pandemia, onde muitas outras pessoas tiveram que se render a essa nova realidade virtual e realizar a maioria das suas tarefas cotidianas via online. Reuniões, acessos a escritórios, bancos, supermercados, lojas, e até mesmo o trabalho foi direcionado para plataformas digitais e a população ficou cada vez mais familiarizada com o uso desses aparelhos, tanto celulares como computadores. Na medicina não poderia ser diferente, enquanto em outros países o uso da telemedicina como fonte de atendimento médico já estava sendo utilizada mesmo antes da pandemia, no Brasil, após a pandemia, o CFM regularizou as consultas online seguindo protocolos pré-estabelecidos. E essa provavelmente é uma realidade que se perpetuará no meio médico e que já está facilitando tanto a vida do próprio profissional, como do paciente que muitas vezes têm dificuldade de locomoção e que agora pode ser atendido de dentro da sua casa, em horários confortáveis e sem esperas impacientes. Mas a anestesia, será que também seria uma especialidade que poderia tirar vantagens da telemedicina? Até o momento, essa realidade está distante pois a anestesia corresponde a especialidade que menos se utiliza dessa plataforma.

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Bridges et al publicou uma revisão narrativa sobre o uso da telemedicina para os períodos pré-operatório e pós-operatório relacionados aos cuidados anestésicos. O artigo não só analisou os casos reportados do uso de telemedicina como também os obstáculos presentes na telemedicina para que essa também possa ser utilizada na anestesia.

Consultas pré-operatórias

Nessa revisão Bridges et al já havia avaliado a utilização de telemedicina para as consultas anestésicas pré-operatórias que já eram realidade desde 2004. Nessa época as consultas eram realizadas com o uso de um monitor e uma câmera digital montada em um estúdio que necessitava de um operador remoto para assistir os pacientes de forma remota e isso gerava grande ônus. Atualmente as despesas relacionadas a isso diminuíram significantemente e várias instituições estão utilizando a telemedicina para consultas pré-operatórias com o uso de vídeo conferências por celular e aplicativos móveis de telemedicina, cotidianamente. Esses estudos demonstraram uma grande satisfação por parte dos pacientes com baixo índice de cancelamento.

Em relação a anestesia, a telemedicina pode facilitar o acompanhamento do paciente no período pré-operatório para um melhor preparo do mesmo para a cirurgia. Atividades podem ser monitorizadas remotamente pelos profissionais, permitindo uma otimização remota de por exemplo, controle da anticoagulação, dos níveis de glicemia, controle do peso, e melhora da capacidade funcional antes da cirurgia. Com o avanço da tecnologia, o profissional anestesista poderá avaliar remotamente o estado clínico do paciente assim como sua evolução durante o período pré operatório com dispositivos transmissores de informações direto ao prontuário médico. Obviamente que muitas barreiras ainda existem na monitorização remota como por exemplo a padronização da coleta de dados e do armazenamento desses dados que acabariam dificultando o acesso de alguns profissionais e pacientes não familiarizados com essa tecnologia.

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Além disso, já há cinco anos, a telemedicina está sendo utilizada como plataforma de pré-reabiliatção de determinados pacientes antes do procedimento cirúrgico, não necessitando da ida do paciente a centros de reabilitação. Os profissionais podem guiar o paciente remotamente em relação a perda de peso, melhora da capacidade funcional, exercícios específicos diários, entre outros. Muitas vezes a cirurgia determina uma mudança de estilo de vida do paciente e nesses casos o anestesista irá poder remotamente guiar o paciente para alcançar esses objetivos tanto antes como após o procedimento.

Período pós-operatório e pós-terapia intensiva

A telemedicina já é utilizada pelos cirurgiões no período pós-operatório tardio e vem mostrado bastante sucesso com um aumento do acesso dos profissionais, diminuição do tempo de espera e promovendo economia aos pacientes. Porém para os anestesiologistas isso ainda não é uma realidade. Muitos pacientes necessitam de ajustes de medicações, controle adequado da dor, realização de exames após os procedimentos cirúrgicos e muitas vezes acabam se perdendo sem o contato adequado com o profissional. Os anestesistas podem através de plataformas remotas manter contato com os pacientes e fazer as orientações necessárias para a manutenção da recuperação adequada de cada paciente evitando reinternações desnecessárias por falta de acompanhamento adequado. A anestesia não seria mais um procedimento que acabaria no bloco cirúrgico após a alta do paciente, o profissional anestesista também faria parte do pós-operatório domiciliar.

Esse raciocínio também pode se estender aos pacientes que são liberados para casa após internações em unidades de terapia intensiva. Muitos deles desenvolvem doenças crônicas que permanecem após a sua alta e precisam ser acompanhados constantemente. Já é sabido e reconhecido que os pacientes que sobrevivem a um internação em CTI acabam desenvolvendo limitações físicas, cognitivas e psicológicas que acabam afetando tanto o seu dia a dia como seu estado financeiro. Portanto ter uma oportunidade de acompanhar esses pacientes de forma eficaz e segura remotamente proporcionando um follow-up direcionado a cada necessidade é um papel importante na necessidade de maiores evoluções na telemedicina que pode ser realizada pelos profissionais anestesistas.

Clínica da dor

A maioria das consultas por telemedicina se faz em pacientes que estão fora do ambiente hospitalar, e nesse escopo, os pacientes que fazem tratamento para dor crônica são a população representativa para a clínica anestésica.

Muitos pacientes em tratamento para dor têm dificuldade de locomoção e ter que se dirigir a clinicas distantes para a realização de consultas periódicas é bastante desgastante e sofrido, portanto, ter a possibilidade de realizar essas consultas online, dentro de casa, no seu conforto é um dos maiores benefícios da telemedicina. A monitorização e controle adequado da dor nesses pacientes pode ser realizado de forma eficaz, remotamente, através da análise dos sintomas, análise da história pregressa da dor e follow-up promovendo oportunidades amplas, satisfatórias e seguras no acompanhamento do tratamento da dor crônica desses pacientes. Como exemplo dessa evolução podemos citar o desenvolvimento da “smart pill box” que está sendo utilizado em alguns locais dos Estados Unidos. Essa “caixa” tem sua demanda, entrega e inventário de medicações controlados eletronicamente por via remota, fazendo com que o alcance adequado das medicações prescritas cheguem aos pacientes de forma eficaz e segura. Os anestesistas irão poder prescrever, tratar e entregar prescrições de medicações como opioides de forma digital, agilizando o tratamento.

Conclusões

Apesar da telemedicina ainda estar engatinhando dentro da especialidade anestésica, os estudos têm levantado o quão necessário e significativo seria a introdução real e efetiva do atendimento remoto por parte do profissional anestesista. Nesses revisões realizadas por Bridges et al evidenciou-se que há muito mercado concreto para a telemedicina anestésica, onde o anestesista não seria apenas o profissional restrito ao procedimento em centro cirúrgico e muitas vezes esquecido. Ele faria parte da equipe de uma forma maior e mais ampla podendo ter uma interação mais íntima com o paciente desde o período pré-operatório até a alta completa após acompanhamento tardio no pós-operatório.

Referências bibliográficas:

  • Kamdar N, Jalilian L. Telemedicine: A Digital Interface for Perioperative Anesthetic Care, Anesthesia & Analgesia. 2020 fev;130(Issue 2):272-275. doi: 10.1213/ANE.0000000000004513.
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