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Idoso em tratamento conservador de fratura do quadril

Tratamento conservador de fraturas do quadril, qual é o desfecho esperado?

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Anualmente, cerca de 1,6 milhão de pacientes em todo o mundo são admitidos no hospital com fraturas do fêmur proximal. Aproximadamente 20% desses pacientes residem em lares para idosos. A mortalidade entre estes pacientes é alta. Em média 13% destes pacientes morre dentro de um mês e 25% morrem dentro de um ano após a lesão. Mais de 95% dos pacientes com fraturas de quadril são tratados de maneira cirúrgica, uma vez que as diretrizes sugerem que o manejo adequado da dor requer esta modalidade de tratamento, mesmo se o paciente tiver uma expectativa de vida baixa.

Alguns pacientes idosos entretanto possuem condições clínicas que impedem a execução de uma cirurgia, sendo tratados de maneira conservadora. Esta modalidade de tratamento está classicamente associada a mortalidade e morbidade significativa.

Poucas pesquisas investigam o manejo não operatório de pacientes idosos com fraturas de quadril e, portanto, a evolução esperada destes pacientes é relativamente desconhecida.

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Estudo atual

Recentemente, uma revisão sistemática foi elaborada com o objetivo de fornecer uma visão geral do prognóstico do manejo não operatório em pacientes idosos com fratura de quadril em termos de mortalidade, complicações, mobilidade e qualidade de vida.

Foram pesquisadas as bases de dados PubMed, EMBASE e Cochrane, considerando publicações entre janeiro de 1990 até 10 de junho de 2019. A pesquisa incluiu palavras-chave relacionadas à “fratura de quadril”, “idosos”, “tratamento não operatório” e “cuidados paliativos“. Apenas estudos do tipo coorte ou série de casos de pacientes tratados não cirurgicamente com fraturas de quadril foram incluídos.

Um total de 4.318 estudos foram selecionados. Considerando critérios de inclusão e exclusão, dezoito estudos corresponderam aos critérios de elegibilidade, os quais apresentavam qualidade baixa a moderada.

A idade média combinada foi de 83 anos com a maioria das pacientes do sexo feminino. Apenas 39% dos pacientes eram institucionalizados, com 49% sofrendo de demência e 77% deambulavam antes da fratura. Aproximadamente 80% dos pacientes foram classificados como ASA III ou IV. Alguns estudos envolveram utilização de tração, outros de repouso no leito ou restrição de carga. Alguns estudos não relataram a estratégia de mobilização utilizada.

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Aproximadamente dois terços dos pacientes incluídos nos estudos foram tratados de forma não cirúrgica por motivos médicos e um terço por motivos não médicos (razões econômicas e pacientes que não consentiram com a cirurgia). As taxas de mortalidade combinadas após 30 dias, seis meses e um ano foram 36%, 46% e 60%, respectivamente; 33% dos pacientes desenvolveram complicações durante a internação. Seis meses após o trauma, apenas 9,6% dos pacientes apresentavam mobilidade.

Conclusão

Apesar desta ampla visão geral, os resultados desta revisão sistemática devem ser interpretados com relativa cautela, uma vez que uma população de estudo muito heterogênea foi incluída e nenhuma correção para fatores de confundimento pôde ser realizada. Apenas estudos observacionais foram incluídos, apresentando apenas um estudo prospectivo. A qualidade dos estudos incluídos foi de baixa a moderada.

O manejo não operatório de pacientes frágeis com fratura de quadril está associado a altas taxas de mortalidade e complicações. Coortes de estudo heterogêneas e resultados limitados foram relatados nos artigos revisados. A literatura atual mostra uma falta de evidência do verdadeiro prognóstico do manejo não operatório de idosos apresentando fratura de quadril e uma expectativa de vida limitada. Os resultados desta revisão podem ser usados ​​para auxiliar na tomada de decisões e melhorar a gestão de expectativas dos familiares, pacientes e equipes assistentes.

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Referências bibliográficas:

  • Loggers SAI, et al. Prognosis of nonoperative treatment in elderly patients with a hip fracture: A systematic review and meta-analysis. Injury. 2020;51(11):2407-2413. doi:10.1016/j.injury.2020.08.027

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