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Vacinas e o efeito nocebo

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Embora a vacinação seja considerada um dos pilares para o controle da pandemia de Covid-19, a cobertura vacinal inadequada ainda é um dos desafios que se impõe internacionalmente. Entre os motivos para uma baixa cobertura é a hesitação vacinal, muitas vezes decorrente do receio de eventos adversos. O fato de serem administrados imunizante com plataformas pouco conhecidas e a divulgação de eventos adversos atípicos são fatores que contribuem para esse fenômeno.

Nesse sentido, orientar a população sobre o real risco de eventos adversos com vacinação contra Covid-19 pode ser uma ferramenta essencial na prática diária. Um conceito aplicado em ensaios clínicos é o chamado efeito nocebo, caracterizado pela ocorrência de eventos adversos associados ao placebo. Acredita-se que esses eventos estejam relacionados a sintomas prévios, ansiedade e expectativa da ocorrência de eventos adversos. Um estudo publicado na JAMA procurou investigar a proporção de efeito nocebo em ensaios com vacinas contra Covid-19.

Leia também: Usamos o efeito placebo a nosso favor?

Vacinas e o efeito nocebo

Materiais e métodos

Trata-se de uma revisão sistemática com meta-análise que incluiu ensaios clínicos randomizados sobre vacinas contra Covid-19 em indivíduos maiores do que 16 anos e publicados em inglês. Os trabalhos eram elegíveis se incluíssem análise de eventos adversos nos 7 dias seguintes à administração da vacina, incluíssem um braço com placebo inerte e que fornecessem de forma separada informações sobre eventos adversos no braço placebo e no braço que recebeu vacina.

Os diferentes eventos adversos foram classificados em categorias: qualquer evento adverso, qualquer evento adverso local e qualquer evento adverso sistêmico. Para homogeneizar as categorias, os autores agruparam os eventos que foram considerados como o mesmo sintoma (como artralgia e dor articular) ou estritamente relacionados (como náuseas e vômitos).

Resultados

Após a revisão, foram incluídos 12 artigos, com dados de 45.380 participantes: 22.578 que receberam placebo e 23.817 que receberam vacina. Devido aos múltiplos grupos de vacina em alguns trabalhos, foram incluídos somente 22.802 participantes do grupo que recebeu vacina.

A proporção combinada de participantes no grupo placebo que reportou pelo menos 1 evento adverso sistêmico ou local após a administração da 1ª dose do produto foi de 35,2% (IC 95% = 26,7 – 43,7%) e 16,2% (IC 95% = 11,3 – 21,1%). No grupo que recebeu o imunizante ativo, essas proporções foram de 46,3% (IC 95% = 38,2 – 54,3%) e 66,7% (IC 95% = 53,2 – 80,3%), respectivamente. As taxas entre os grupos sugerem que após a primeira dose de vacina, o efeito nocebo seria responsável por 76% dos eventos sistêmicos e 24,3% dos eventos locais.

Após a 2ª dose, as proporções de eventos adversos nos grupos placebo foram menores, com 31,8% (IC 95% = 28,7 – 35,0%) dos participantes reportando qualquer evento adverso sistêmico e 11,8% (IC 95% = 6,6 – 17,1%) reportando qualquer evento local. Essa diferença de proporção de eventos entre a 1ª e 2ª doses foi estatisticamente significativa. Nos grupos do imunizante ativo, as proporções de eventos adversos foram maiores após a 2ª dose, com diferença estatisticamente significativa para eventos sistêmicos, mas não locais.

As taxas entre as proporções de eventos adversos entre os grupos placebo e de intervenção sugerem que o efeito nocebo seriam responsáveis por 51,8% e 16,2% dos eventos sistêmicos e locais, respectivamente, após a segunda dose. Os eventos adversos mais comuns relatados pelos participantes no grupo placebo foram cefaleia e fadiga.

Saiba mais: Vacinas permanecem eficazes contra a Ômicron: as evidências até aqui

Em relação à gravidade, a análise dos dois maiores estudos que indicavam esse parâmetro mostrou proporção semelhante nos graus de gravidade dos eventos reportados entre os grupos placebo e intervenção após a primeira dose do produto. Já após a segunda dose, a proporção de eventos moderados e graves aumentou no grupo de participantes que recebeu a vacina, permanecendo a mesma no grupo placebo.

Os autores ressaltam algumas limitações do estudo, como o pequeno número de estudos incluídos e a heterogeneidade entre eles. Entretanto, ressaltam que os resultados sugerem que os sintomas mais comuns relacionados a vacinas estão altamente associados a efeito nocebo.

Como estudos prévios com medicamentos indicaram que orientações em relação a possibilidade da ocorrência de efeito nocebo — que as pessoas que não receberam nenhum princípio ativo experimentaram os mesmos eventos que costumam ser associados à vacinação, o que pode estar relacionado a ansiedade, por exemplo — podem ajudar a reduzir a ocorrência de eventos adversos e auxiliar na aceitação ao tratamento.

Referências bibliográficas:

  • Haas, JW, Bender, FL, Ballou, S, Kelley, JM, Wilhelm, M, Miller, FG, Rief, W, Kaptchuk, TJ. Frequency of Adverse Events in the Placebo Arms of COVID-19 Vaccine Trials: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Network Open. 2022;5(1):e2143955. doi:10.1001/jamanetworkopen.2021.43955
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