Cardiologia

AHA 2021: AVATAR, AMAZE, GIRAF e outros estudos apresentados no congresso

Tempo de leitura: 5 min.

O congresso da American Heart Association (AHA 2021) aconteceu no último fim de semana, de 13 a 15 de novembro, e discutiu diversos estudos da área de cardiologia. Entre os principais temas, estiveram os inibidores SGLT2, fibrilação atrial, estenose aórtica e muito mais!

Confira os destaques do evento neste resumo da cobertura realizada pela equipe de cardiologistas do Portal PEBMED.

AHA 2021

Um estudo apresentado no evento e publicado simultaneamente no New England Journal of Medicine mostrou benefício da realização de anuloplastia tricúspide em pacientes com insuficiência tricúspide (IT) concomitante à correção valvar mitral. Apesar disso, não houve melhora de outros parâmetros avaliados e houve maior necessidade de implante de marca-passo definitivo. Sendo assim, é um procedimento que não deve ser indicado de rotina. Saiba mais no texto completo.

O AVATAR trial foi outro estudo publicado simultaneamente ao AHA 2021, desta vez no Circulation. A conclusão foi que a cirurgia de troca valvar beneficia os pacientes com estenose aórtica grave, sendo esses sintomáticos ou não. Porém, o estudo não alcançou o N estabelecido no início, prejudicado pela pandemia Covid-19 e pela dificuldade em encaminhar pacientes assintomáticos para uma cirurgia. Veja os detalhes no artigo.

O AMAZE trial, apresentado no congresso, avaliou o tratamento da FA com ablação envolvendo o isolamento das veias pulmonares (IVP) sozinha ou associada à técnica LARIAT. A realização do fechamento atrial esquerdo pela técnica de LARIAT associado a IPV foi procedimento seguro, porém não teve benefício em relação a recorrência de arritmias atriais. Apesar disso, pode ser que alguns subgrupos se beneficiem do procedimento, como pacientes com FA de início mais recente e com átrios maiores.  Veja mais no texto completo.

Outro trial apresentado no evento, o PALACS randomizou 420 pacientes para dois grupos: placebo versus intervenção, que consistiu em pericardiectomia estendida para região posterior-esquerda. O estudo precisa ser replicado em amostras maiores, porém, pacientes de maior risco e cuja pericardiectomia possa ser feita sem prolongar em excesso o tempo cirúrgico, provavelmente já são candidatos a utilizar na vida real. Saiba mais no artigo.

O estudo I-Stop-AF, discutido no AHA 2021, recrutou 446 participantes com FA paroxística que foram monitorados por um smartphone acoplado a um ECG e, na primeira fase do estudo, relataram quais atividades estavam relacionadas “a novos episódios de FA”. Apesar do relato de diversos fatores “associados temporalmente” aos paroxismos de FA, apenas o consumo excessivo de álcool se mostrou como um potencial deflagrador. Confira os detalhes do estudo aqui.

Um tema comum aos últimos congressos de cardiologia tem sido os inibidores SGLT2. O estudo EMPULSE testou a empagliflozina 10 mg em pacientes internados com insuficiência cardíaca descompensada em comparação ao placebo em um estudo randomizado. Os dados mostram que os inibidores SGLT2 são realmente drogas fantásticas e seguras no tratamento da IC em diversos cenários, inclusive em pacientes agudamente internados. Veja mais aqui.

Pacientes com fibrilação atrial (FA) apresentam maior risco de demência. Por isso, o estudo GIRAF, apresentado no congresso e coordenado pelo brasileiro Bruno Caramelli, randomizou pacientes com FA não valvar para dabigatrana versus varfarina e analisaram diversas funções cognitivas no início do estudo e após 2 anos. O resultado mostrou que não houve diferença clinicamente relevante entre os grupos. Saiba mais no texto completo.

O ticagrelor atua como antagonista reversível do receptor P2Y12. Esta característica, ao contrário de clopidogrel e prasugrel, permitiu o desenvolvimento de um anticorpo monoclonal inibidor da droga, chamado bentracimab. O trial REVERSE-IT, apresentado no evento, recrutou pacientes em uso do ticagrelor e que necessitavam de reversão. Os resultados mostraram recuperação rápida da função plaquetária, medida por exame laboratorial, começando com 10 minutos da infusão. Contudo, precisamos avaliar em estudos maiores se será eficaz e o risco de administração. Veja mais aqui.

Outro ensaio clínico apresentado no evento foi o RAPID CABG, que comparou a realização de cirurgia com suspensão do ticagrelor por 2 a 3 dias em relação a 5 a 7 dias, o primeiro estudo randomizado a fazer esta comparação. Segundo os resultados, a realização de cirurgia precoce (2 a 3 dias) após suspensão de ticagrelor parece ser segura, porém o número de participantes e de eventos foi pequeno, sendo necessária realização de mais estudos. Confira os detalhes no texto completo.

Um trabalho apresentado no congresso de ressuscitação cardiovascular, que ocorreu simultaneamente ao AHA 2021, comparou administração precoce e tardia da epinefrina em atendimentos de parada cardiorrespiratória (PCR) extra-hospitalar. Neste estudo, houve benefício da administração mais precoce da droga em ritmos chocáveis. Isso reforça a importância da administração precoce no atendimento da PCR, o que já é realizado na nossa prática diária. Saiba mais no texto.

Desde os primeiros casos graves de Covid-19, é conhecido o aumento do risco trombótico na doença. O Activ-4a, apresentado no evento, foi um estudo com objetivo de analisar o desfecho de pacientes em uso de antiagregantes plaquetários que foram hospitalizados por Covid-19. O resultado final com os ajustes estatísticos mostrou menor mortalidade no grupo de pacientes com antiagregantes plaquetários, com um RR 0,79 (IC 95% 0,70-0,94). Veja mais aqui. 

Os estudos discutidos no AHA 2021, FIGARO-DKD e FIEDLIO-DKD, ambos bem semelhantes, contaram com cerca de 12 mil participantes e provaram que a finerenona reduziu morte cardiovascular e internação por IC em todo o espectro de gravidade da doença renal (doentes do estágio I ao IV).

Já a sotagliflozina, em dois estudos com mais de 11 mil pacientes, mostrou reduzir a mortalidade cardiovascular, hospitalização por IC ou consulta urgenciada por descompensação da IC em parte dos pacientes com doença renal em estágio avançado sem diferença em relação aos pacientes com melhor função renal.

Esses resultados são realmente promissores e animadores, mas ainda não temos essas drogas no Brasil. Leia mais aqui.

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Publicado por
Clara Barreto
Tags: AHA 2021

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