Câncer de Próstata: hospitais brasileiros já oferecem tratamento com Xofigo®

Tempo de leitura: 2 min.

Um estudo sobre o aumento do PSA (Antígeno Prostático Específico) no sangue de pacientes que já realizaram a cirurgia para a retirada do câncer de próstata indicou que após dez anos, em média, podem aparecer sinais de disseminação da doença para outros órgãos, sendo a mais comum delas a óssea, para esses pacientes, alguns hospitais brasileiros já estão disponibilizando um tratamento com a utilização do Xofigo®, que possui rádio-223, um radiofármaco que mimetiza o cálcio.

A nova terapia é indicada para indivíduos com câncer de próstata resistente à castração, com metástases ósseas sintomáticas e sem metástases viscerais. Até então, sempre haviam sido utilizados raios beta nesse contexto, porém essa é a primeira vez em que um tratamento de Medicina Nuclear utiliza raios alfa.

“Uma vez injetado no paciente, a substância fixa às metástases ósseas. A radiação emitida pelo medicamento quebra o DNA das células tumorais, levando à morte celular”, explica o médico Dalton Alexandre dos Anjos, especializado em Medicina Nuclear e responsável pela área de Medicina Nuclear do Hospital Santa Paula.

O paciente deve receber seis injeções no total, com intervalo de quatro semanas entre cada uma delas.

Leia também: Darolutamida: novo medicamento é aprovado para câncer de próstata

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Estudos científicos

Estudos científicos mostram que o uso do Xofigo® aumenta a sobrevida e melhora a qualidade de vida dos pacientes com câncer de próstata, reduzindo dores ósseas e o risco de desenvolver fraturas e complicações ósseas relacionadas ao câncer.

“O tratamento é simples e seguro. Consiste em seis aplicações do remédio na veia do paciente, que duram no máximo cinco minutos cada, sem a necessidade de internação ou cuidados especiais. O intervalo entre as aplicações é de quatro semanas”, ressalta o especialista.

Segundo o especialista do Hospital Santa Paula, não há contraindicações formais. Os pacientes com fraturas recentes devem esperar as mesmas se estabilizarem antes de fazer o tratamento.

O estudo Alsympca, publicado no New England Journal of Medicine, em 2013, apontou que o tratamento com rádio-223 aumentou a sobrevida global mediana, com redução de 30% do risco de morte em comparação com o placebo, elevando a qualidade de vida em uma porcentagem significativa dos pacientes.

Houve ainda um maior intervalo do tempo para o aparecimento de eventos esqueléticos relacionados às metástases ósseas e redução mais significativa dos níveis de PSA.

O perfil de toxicidade do elemento foi bem favorável quando comparado ao placebo e, em uma análise posterior, notou-se ainda que a terapia não afetou a realização posterior de eventuais quimioterapias necessárias.

Saiba mais: Câncer de próstata: pesquisa revela fragilidades em diagnóstico e tratamento

Aprovado pela Anvisa e coberto pelos planos de saúde

A medicação está aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento de pacientes com neoplasia de próstata resistente à castração e com metástases ósseas sintomáticas.

Ele também está coberto pelo rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e a sua cobertura pelos planos de saúde é obrigatória.

“Cada sessão custa em torno de 30 mil reais, sendo necessárias seis sessões para realizar o tratamento completo. O maior desafio é disponibilizar este tratamento para os pacientes do SUS”, pontua Dalton Alexandre dos Anjos.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Referências bibliográficas:

  • Hospital Santa Paula. Tratamento com Xofigo (rádio 223) para câncer de próstata. Disponível em: https://www.santapaula.com.br/tratamento-com-xofigo/
  • Parker C, et al, for the ALSYMPCA Investigators. Alpha Emitter Radium-223 and Survival in Metastatic Prostate Cancer. N Engl J Med 2013; 369:213-223. doi: 10.1056/NEJMoa1213755

 

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Publicado por
Úrsula Neves

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