ECCMID 2021: estratégias para redução de infecções hospitalares

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Outra sessão do European Congress of Clinical Microbiology & Infectious Diseases (ECCMID 2021) abordou estratégias para redução de infecções relacionadas à assistência à saúde. A seguir, alguns destaques.

médicos levando paciente com infecções hospitalares

Uso de probióticos para erradicação de colonização por VRE

A primeira apresentação mostrou resultados de um estudo multicêntrico conduzido em pacientes hospitalizados carreadores de VRE comprovados por análise molecular e cultura. Os participantes eram randomizados para receberem probióticos ou placebo e acompanhados por até 24 semanas.

O desfecho primário era redução no número de carreadores após quatro semanas e os desfechos secundários incluíram clearance de VRE após 8, 16 e 24 semanas e caracterização do microbioma por meio de análise de amostras fecais.

Inicialmente, o estudo foi planejado para incluir 81 indivíduos em cada braço, mas devido à alta prevalência de critérios de exclusão na população triada e a uma importante perda de seguimento, somente os dados de 48 participantes foram analisados. De forma interessante, o estudo foi interrompido por causa da diminuição no número de pacientes detectados com VRE durante a pandemia de Covid-19. Assim, os dados analisados corresponderam a 21 pessoas no grupo que recebeu probiótico e 27 no grupo que recebeu placebo.

Para o desfecho primário, não houve diferença entre os grupos na proporção de participantes que não era mais carreadora de VRE após 4 semanas (57% no grupo que recebeu probiótico vs. 56% no grupo placebo). Os resultados permaneceram com 24 semanas, com 88% dos participantes não tendo mais VRE no grupo que recebeu probiótico e 90% no grupo placebo, o que não apresentou diferença estatística.

A grande perda de seguimento é uma limitação importante do estudo, uma vez que, dos 48 participantes analisados, somente 18 tinham dados na semana 24. Ainda assim, não houve diferença na erradicação de VRE em carreadores com o uso de probióticos.

Colonização por Staphylococcus aureus e risco de infecção de sítio cirúrgico

Infecções de sítio cirúrgico e bacteremia são complicações importantes no contexto pós-operatório. A colonização nasal por Staphylococcus aureus é um fator de risco para infecções por esse patógeno. Entretanto, não há dados sobre o impacto da colonização exclusivamente extranasal e do número de áreas corporais no risco de infecção por S. aureus pós procedimento cirúrgico.

Dados do ASPIRE-SSI, um estudo multicêntrico europeu que visa a avaliar as características de infecções cirúrgicas por S. aureus, foram utilizados para analisar a associação de colonização e do número de áreas corporais colonizadas em infecções de sítio cirúrgico e de bacteremia em 90 dias após a cirurgia.

Leia também: ATS 2021: novos tratamentos contra patógenos resistentes – uma pitada de esperança

Os voluntários eram todos adultos e foram rastreados para colonização por S. aureus em até 30 dias antes do procedimento cirúrgico. Dessa população, um subgrupo de indivíduos colonizados e não colonizados (proporção de 2:1) foi seguida por até 90 dias após a realização da cirurgia, o que correspondeu a 5.004 pessoas, sendo 3.369 colonizados por S. aureus. A maioria dos procedimentos envolveu cirurgias ortopédicas e vasculares.

Colonização em qualquer local e colonização exclusivamente nasal estavam associados de forma independente à ocorrência de infecção de sítio cirúrgico ou bacteremia, o que não foi observado quando a colonização era exclusivamente extranasal. O risco de infecção pós cirúrgica aumentou conforme maior número de áreas corporais colonizadas (HR = 3,5 para 1 área; 5,3 para 2 áreas e 8,5 para 3 áreas). Analisando a proporção de infecções que podem ser atribuídas à colonização prévia, cerca de 50% das bacteremias e infecções de sítio cirúrgico identificadas foram atribuídas ao estado prévio de carreador de S. aureus.

Conclui-se que, para o rastreio pré-cirúrgico, o status de colonização nasal é o mais relevante, mas pesquisa de colonização em áreas extranasais pode ser uma estratégia para identificar os pacientes que estão sob maior risco de infecção pós-cirúrgica.

Eficácia da implementação de bundle para pneumonia hospitalar não associada à ventilação mecânica

Pneumonias associadas à assistência à saúde, tanto as associadas à ventilação mecânica quanto as não associadas, apresentam alta mortalidade, de aproximadamente 20% para ambas. Entretanto, a maioria das ações de prevenção são voltadas para casos relacionados à ventilação invasiva.

Um estudo realizado no Hospital Universitário de Zurique avaliou o impacto da implementação de um bundle para prevenção de pneumonia hospitalar não relacionada à ventilação mecânica. Os componentes do bundle foram selecionados por equipe multiprofissional envolvendo médicos, enfermeiros e fisioterapeutas, baseados em evidências de eficácia e de aplicabilidade local.

Veja mais: A Covid-19 aumenta o risco de infecções hospitalares?

Os componentes principais do bundle eram: cuidados com higiene oral, prevenção de aspiração relacionada à disfagia (rastreio à beira leito, avaliação de deglutição e modificação de alimentação), mobilização pelo menos 2x/dia, interrupção de inibidores de bomba de prótons sem indicação e fisioterapia respiratória. Componentes secundários incluíram controle de dor, elevação da cabeceira do leito, higienização das mãos e medidas de prevenção de infecções respiratórias virais.

O bundle foi implementado em nove departamentos do hospital (três cirúrgicos e seis clínicos) e o estudo incluiu 361.947 pacientes-dia e 451 pneumonias hospitalares não PAV. Após o período de implementação, a incidência de pneumonia não PAV foi reduzida em 40%. Além disso, a execução das medidas do bundle resultou no aumento do rastreio de disfagia e na redução da prescrição de inibidores de bomba de prótons sem indicação.

Embora precoces, esses resultados sugerem que a sistematização de medidas preventivas pode ter impacto na redução da incidência de pneumonia hospitalar, tanto as associadas à ventilação invasiva quanto as não relacionadas.

Estamos cobrindo o ECCMID 2021, não deixe de acompanhar com a gente!

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