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Novo escore para avaliação ultrassonográfica da dactilite na artrite psoriásica

Novo escore para avaliação ultrassonográfica da dactilite na artrite psoriásica

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Quando comparada com as demais espondiloartrites, a artrite psoriásica (PsA) é a que apresenta maior pleomorfismo de apresentação, podendo se manifestar com múltiplos fenótipos clínicos distintos. Uma das manifestações clínicas mais características da PsA é a dactilite, que se caracteriza pelo edema uniforme de um dedo (“dedo em salsicha”) devido ao acometimento inflamatório das articulações, tendões e partes moles.

Dentre os métodos mais utilizados para a avaliação clínica dessa manifestação, temos a contagem de dedos acometimentos e o Leeds Dactylitis Index, que leva em conta a dor e a circunferência digital. Ainda assim, essas formas de avaliação não permitem a distinção entre os compartimentos acometidos pela doença. Bem como não possuem uma sensibilidade adequada para avaliar o grau de atividade de doença e a resposta ao tratamento instituído em todos os casos.

Pensando nisso, Zabotti et al. desenharam um estudo para avaliar a possível aplicação da ultrassonografia musculoesquelética point-of-care (US POC) nesse contexto. Os objetivos desse estudo foram: identificar as lesões elementares da dactilite de mãos através da US POC; definir a confiabilidade da US POC nessa avaliação; e desenvolver um escore ultrassonográfico para a dactilite de mãos.

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Métodos

A primeira etapa do estudo foi a realização de uma revisão sistemática da literatura com relação ao uso de US POC na avaliação da dactilite na PsA, que foi apresentada e discutida pelos reumatologistas participantes do estudo.

Na sequência, foi utilizada a metodologia Delphi, na qual os participantes tiveram a oportunidade de comentar e sugerir os itens a serem incluídos na avaliação. Além de votar no grau de concordância com relação aos 34 itens gerados (25 sobre lesões elementares e 9 sobre um escore composto).

Por fim, foi gerado o escore DACTOS (DACTylitis glObal Sonographic), após consenso e discussão de 180 imagens. O consenso final teve concordância cumulativa total ≥80%.

Já na fase de validação, 140 novas imagens estáticas de US POC foram enviadas aos participantes. Sendo que 15 tinha dactilite com calor/Power Doppler (PD), 8 com dactilite sem calor/PD e 49 PsA sem dactilite. As imagens foram obtidas de um reumatologista clínico que não participou desse exercício. Essas imagens continham 54 imagens de sinovite, 24 de tenossinovite em modo B, 24 de tenossinovite com PD, 23 de edema de partes moles com PD, 11 de inflamação peritendínea dos extensores em modo B e 11 de inflamação peritendínea dos extensores com PD. Foram realizadas 2 rodadas independentes de avaliação.

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Avaliação final

Após a realização dessas etapas, 3 reumatologistas treinados em ultrassonografia avaliaram clínica e ultrassonograficamente, de maneira independente e em 2 momentos cada, 20 pacientes com PsA e dactilite sintomática, para avaliar a confiabilidade do escore desenvolvido.

Resultados

Os resultados das primeiras etapas (revisão sistemática, método Delphi e consenso) não serão resumidas aqui. Para maiores detalhes, vide o artigo original e seu suplemento.

No escore DACTOS, cada dedo é pontuado individualmente e são avaliados 4 domínios:

    • Inflamação peritendínea dos extensores (modos B e PD, nos níveis da metacarpofalangeana e interfalangeana proximal): 0 ou 1 ponto no modo B e 0 ou 1 ponto no PD, por articulação. Pontuação máxima: 4;
    • Edema de partes moles (modos B e PD, no nível da área mais acometida do dedo em questão): 0 a 3 pontos no modo B e 0 a 3 pontos no PD. Pontuação máxima: 6;
    • Tenossinovite dos flexores (modos B e PD, no nível da área mais acometida do dedo em questão): 0 a 3 pontos no modo B e 0 a 3 pontos no PD. Pontuação máxima: 6;
    • Escore combinado de sinovite do EULAR-OMERACT (modos B e PD, nos níveis da metacarpofalangeana, interfalangeana proximal e interfalangeana distal): 0 a 3 pontos – escore único combinada para cada uma das 3 articulações avaliadas. Pontuação máxima: 9 pontos.

A apresentação final do escore deve ser feita através da apresentação da pontuação em cada um dos domínios acima e uma soma final total. Com pontuação máxima de 25 para cada dedo avaliado.

Validação

Na validação do escore, a concordância intra e interobservador foi avaliada para cada um dos domínios. A maioria deles apresentou boa a excelente correlação. Exceto o domínio de edema de partes moles, que apresentou concordância apenas moderada em todas as análises (incluindo PD). Na avaliação interobservador, a avaliação da inflamação peritendínea dos extensores apresentou concordância moderada no modo B e boa no PD.

No exercício com pacientes, a concordância intraobservador foi de boa a excelente em todos os domínios. No entanto, a concordância interobservador para edema de partes moles também foi moderada, à semelhança da avaliação anterior.

Comentários

O estudo resumido acima desenvolveu um novo escore para avaliação dos pacientes com PsA e dactilite. Uma vantagem do uso dessa ferramenta é que, além da avaliação global da atividade da dactilite, ele permite uma comparação de cada um dos domínios ao longo do tempo. Assim permitindo avaliação das intervenções terapêuticas. Ademais, os dados iniciais sugerem que esse escore é, de maneira geral, reprodutível e confiável.

O estudo foi bem desenhado, com várias etapas de avaliação e validação de seus achados. No entanto, como ainda é um escore recém-proposto, ainda é necessário que ele seja incorporado na prática clínica e que ele seja avaliado de maneira prospectiva. De forma a verificar se esse escore teria utilidade na decisão terapêutica e prevenção do dano e da limitação funcional imposta pela PsA no longo prazo.

Autor(a):

Referência bibliográfica:

  • Zabotti A, Sakellariou G, Tinazzi I, et al. Novel and reliable DACTylitis glObal Sonographic (DACTOS) score in psoriatic arthritis. Ann Rheum Dis. 2020. doi:10.1136/annrheumdis-2020-217191.

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