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PCR fora do hospital

PCR fora do hospital: como diminuir a mortalidade? [ABRAMEDE 2018]

Tempo de leitura: 3 minutos.

As paradas cardiorrespiratórias (PCR) fora do hospital são causadas, em sua maioria, por doença arterial coronariana, representando 70% dos casos. Dos pacientes acometidos com a PCR, 40% não chegam ao hospital e somente 10% recebem alta, ou seja, 90% morrem durante o atendimento pré-hospitalar e intra-hospitalar.

Como apenas 7% têm uma sobrevida média acima de 1 ano, em termos gerais, isso significa que 93% dos indivíduos que sofreram PCR fora do hospital morrem no prazo de até 12 meses. Esses dados alarmantes foram divulgados na palestra “Síndrome Coronariana Aguda: como causa e atendimento do pré hospitalar à sala de emergência”, na ABRAMEDE 2018, com moderação de Santos.

Como tratar o paciente que sofreu PCR fora do hospital

Pensando nisso, há a necessidade de avaliar como deve ser o protocolo de atendimento destes pacientes, tanto no pré-hospitalar quanto no intra-hospitalar: seja por meio de intervenção coronariana percutânea, que comprovadamente diminui a mortalidade e dobra a sobrevida do paciente em 1 ano – segundo os estudos mais atuais -, ou por hipotermia, estratégia utilizada atualmente após a parada cardiorrespiratória.

O protocolo tem se mostrado benéfico não só em casos de infarto com supra de ST, que já tem um prognóstico mais desfavorável devido à oclusão completa de uma artéria coronária, como também em infarto agudo do miocárdio (IAM) sem supra de segmento ST.

Casos em que a intervenção coronariana percutânea é indicada

Há outras situações em que a intervenção coronariana percutânea deve ser realizada precocemente, e vale identificar quais essas indicações, tais como: PCR (como mencionado), arritmias malignas (fibrilação ou taquicardia ventricular e afins) e pacientes com eletrocardiograma com isquemia circunferencial (padrão de alteração com infra em 8 derivações e com supradesnivelamento de aVR, caracterizando lesão de tronco).

Outras alterações atípicas no eletrocardiograma, que deixam o médico em dúvida, devem ser analisadas com cuidado, como por exemplo o infradesnivelamento da região ântero-septal (V1,V2,V3 e V4). Nesta situação, devido às características do eletrocardiograma, esse tipo de alteração pode ser um espelho de um supradesnivelamento da parede posterior, o que significaria uma obstrução em um ramo de alguma artéria marginal. Este quadro caracteriza-se como um infarto com supra de ST mas que é visto como se fosse um infarto sem supra de ST, e para detectar o diagnóstico real deve-se pensar nas derivações posteriores (V7 a V9).

Como último ponto dentre essas alterações do eletrocardiograma que indicam a intervenção coronariana percutânea, temos as exceções referentes ao bloqueio de ramo esquerdo. Em um paciente com dor típica e com suspeita de síndrome coronariana aguda, a presença de bloqueio de ramo esquerdo é sempre problemática pois fica a dúvida se este bloqueio é recente ou antigo, pois se for novo pode ser causado pelo quadro agudo, se antigo pode ser confundido com uma doença mais grave do que aparenta.

Há três características que podem ajudar no reconhecimento do bloqueio de ramo esquerdo causado por doença arterial coronariana:

  1. Supra concordante > 1 mm nas derivações V4, v5 e V6, o que significa um supra de ST com polaridade concordante com o QRS;
  2. Infradesnivelamento ≥ 1 mm em qualquer derivação;
  3. Um supra discordante ≥ 5 mm também em qualquer derivação.

Além da PCR, os protocolos são benéficos para a redução da mortalidade e da letalidade, e a identificação destas alterações atípicas do eletrocardiograma diminui bastante a chance de eventos intra-hospitalares.

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A PEBMED ESTÁ NO ABRAMEDE 2018

Entre os dias 25 e 28 de setembro, a Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE) promove em Fortaleza (CE) a 6ª edição do maior Congresso de Medicina de Emergência Adulto e Pediátrico da América Latina. O evento conta com workshops, cursos e palestras com os maiores especialistas da área. A PEBMED está em Fortaleza e vamos publicar aqui no Portal com exclusividade as principais novidades do evento.

Autor:

Eduardo Cardoso de Moura

Graduação em Medicina pela UFF ⦁ Residência em Clínica Médica pela UFRJ ⦁ Diretor de Conteúdo e Co-fundador da PEBMED

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