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Prevenção e monitorização de cardiotoxidade em onco-hematologia

Tempo de leitura: 3 minutos.

Já sabemos que o advento de inúmeros quimioterápicos, imunobiológicos e novas técnicas de radioterapia contribui para o aumento da sobrevida associada ao câncer. Com a maior expectativa de vida, a atenção para os efeitos a longo prazo das medicações se tornou de importância fundamental no manejo clínicos dos pacientes.

Confira abaixo as informações disponibilizadas pela diretriz da American Society of Clinical Oncology (ASCO) sobre prevenção e monitorização da cardiotoxicidade nos pacientes com câncer nas especialidades de oncologia e hematologia.

Quais pacientes com câncer estão sob risco aumentado de desenvolver disfunção cardíaca?

Tratamento que inclui:

  • Altas doses de antraciclina
  • Altas doses de radioterapia onde o coração está no campo de tratamento
  • Baixas doses de antraciclina + baixas doses de radioterapia onde o coração está no campo de tratamento
  • Baixas doses de antraciclina ou transtuzumab, e a presença de qualquer fator de risco: idade maior ou igual a 60 anos, comprometimento cardiovascular (FEVE < 55%, história de IAM, valvopatia com disfunção moderada) ou risco cardiovascular (2 ou mais dos seguintes: tabagismo, dislipidemia, hipertensão arterial sistêmia, obesidade)
  • Baixas doses de antraciclina + transtuzumab

Quais estratégias minimizam os riscos antes do início das terapias?

  • Evitar uso de droga cardiotóxica, se não comprometer o desfecho onco-hematológico do paciente
  • História clínica e exame físico direcionado ao sistema cardiovascular
  • Ecocardiograma pré-quimioterapia, se forem utilizadas terapias que possam causar dano ao coração

Quais estratégias preventivas são efetivas em minimizar riscos durante administração de potenciais drogas cardiotóxicas na terapia do câncer?

  • Fatores de riscos: busca ativa de fatores de risco cardiovasculares modificáveis durante o tratamento oncológico
  • Dexrazoxane: medicamento cardioprotetor que pode ser utilizado em pacientes que receberão altas doses de antraciclinas
  • Doxorrubicina lipossomal: alternativa do quimioterápico da classe das antraciclinas com formulação menos cardiotóxica
  • Radioterapia: técnicas e dosagens específicas para minimizar os danos cardiovasculares

Em um estudo brasileiro publicado na revista JACC, o carvedilol não foi capaz de prevenir a ocorrência de insuficiência cardíaca em pacientes oncológicos de alto risco. Por outro lado, se houver disfunção sistólica do VE, a orientação atual é iniciar o mesmo tratamento da ICFER por outras causas.

Como fazer a vigilância e monitorização durante o tratamento?

  • Assintomáticos: ecocardiograma nos pacientes com alto risco cardiovascular
  • Sintomáticos: ecocardiograma. Na indisponibilidade, RNM cardíaca. Podemos utilizar biomarcadores séricos cardíacos (troponinas, peptídeos natriuréticos) em conjunto e encaminhar ao cardiologista

Em caso de alteração cardíaca, a continuação da terapia deve ser discutida com o médico assistente.

Importante. A avaliação do ecocardiograma com avaliação do estudo da mecânica cardíaca (STRAIN) é uma ferramenta importante para acompanhamento e diagnóstico de disfunção cardíaca já utilizada na monitorização do paciente oncológico. O strain é capaz de mostrar disfunção sistólica do VE em fases mais precoces do que os métodos tradicionais que medem a fração de ejeção.

Como fazer a vigilância e monitorização depois o tratamento?

  • Sintomáticos: ecocardiograma. Na indisponibilidade, RNM cardíaca. Podemos utilizar biomarcadores séricos cardíacos (troponinas, peptídeos natriuréticos) em conjunto e encaminhar ao cardiologista
  • Assintomático: ecocardiograma em pacientes de alto risco 6-12 meses após término da terapia oncológica.
  • Vigilância dos fatores de risco associados ao sistema cardiovascular

Para pacientes sem risco cardiovascular, ainda não há consenso sobre a monitorização após terapia cardiotóxica.

Leia mais: Candesartan diminui cardiotoxicidade por quimioterápicos

Por fim, vale refletir sobre o grande número de novas terapias que surgem para o tratamento das mais diversas morbidades oncológicas e, ao mesmo tempo, quais tipos de danos vamos ter que lidar com os pacientes que administraremos tais medicações.

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Referências:

  • Armenian, S. H., Lacchetti, C., Barac, A., Carver, J., Constine, L. S., Denduluri, N., Lenihan, D. (2017). Prevention and Monitoring of Cardiac Dysfunction in Survivors of Adult Cancers: American Society of Clinical Oncology Clinical Practice Guideline. Journal of Clinical Oncology, 35(8), 893–911. doi:10.1200/jco.2016.70.5400
  • Mônica Samuel Avila, Silvia Moreira Ayub-Ferreira, Mauro Rogerio de Barros Wanderley et al. Carvedilol for Prevention of Chemotherapy-Related Cardiotoxicity. Journal of the American College of Cardiology (JACC) May 2018, 71 (20) 2281-2290; DOI: 10.1016/j.jacc.2018.02.049

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