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CBMI 2018: devemos manter via oral quando há risco de broncoaspiração?

Tempo de leitura: 3 minutos.

O trabalho em equipe no ambiente da Terapia Intensiva é essencial. Com foco nesta realidade, várias sessões temáticas multiprofissionais foram organizadas no Congresso Brasileiro de Terapia Intensiva (CBMI 2018). A fonoaudióloga Maria Carolina de Lima apresentou em uma desses espaços uma palestra sobre indicações e contraindicações de via oral nos cuidados paliativos.

A palestra iniciou com a definição de broncoaspiração como o risco de entrada de secreções gastrointestinais/orofaríngeas, sólidos ou líquidos nas vias traqueobrônquicas. Além disso, foram ressaltados os preditores de broncoaspiração:

  • Pacientes críticos com idade > ou igual a 55 anos
  • Intubação orotraqueal prolongada
  • VM prolongada
  • Gravidade de quadro clínico geral
  • Escore da Escala de Coma de Gasglow < ou igual a 14.
  • Alteração de nível de consciência.
  • Doenças e cirurgias de cabeça e pescoço.

Também foram apresentados os sinais que podem indicar a broncoaspiração:

  • Escape extraoral
  • Deglutições múltiplas
  • Tosse após deglutição
  • Engasgos
  • Ausculta cervical alterada
  • Qualidade vocal alterada

A identificação desses preditores é importante para que a via de alimentação possa ser definida, principalmente em pacientes com disfagia, que é uma queixa comum nos pacientes terminais. Nos pacientes graves internados nos hospitais, 50% vão apresentar disfagia nos últimos sete dias de vida..

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a via oral seja mantida até os últimos dias de vida. Porém, em um paciente com disfagia, logo surge o questionamento se haveria necessidade de tentar uma sonda nasoentérica ou uma gastrostomia. Apesar de ser um tema com poucos estudos, os que existem questionam os benefícios do uso de via alternativa para alimentação dos pacientes em cuidados paliativos.

Leia mais: Estudos comprovam segurança dos broncodilatadores beta-agonistas

O Guia de cuidados paliativos (SECPAL) orienta que, em casos de doença terminal, a utilização de via alternativa deva ser restrita apenas a problemas obstrutivos (orofaringe e esôfago) ou causem odinofagia ou disfagia importantes, fístulas, disfunções epiglóticas ou nos casos em que a obstrução é o elemento fundamental para explicar a desnutrição, a fraqueza ou anorexia. Foi ressaltada a importância de sempre discutir sobre a via de alimentação com o paciente e seus familiares/cuidadores.

Por outro lado, nos casos de demência avançada, diversos estudos apontaram que as vias alternativas de nutrição raramente são eficazes na melhora da nutrição, manutenção da integridade da pele, prevenção de pneumonia broncoaspirativa, melhora do estado funcional ou prolongamento da vida.

Neste contexto, a palestrante ressaltou a importância da manutenção da via oral nos pacientes em cuidados paliativos pelo maior tempo possível. Também sugeriu algumas estratégias para tentar manter a via oral de forma segura:

  • Fracionar a dieta ao longo do dia
  • Adequar a apresentação da dieta e o tamanho do prato para a quantidade de alimentos
  • Horários flexíveis de acordo com o desejo do paciente
  • Utilização da dieta com consistência adequada
  • Adaptação da alimentação às preferências do paciente

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Autor:

Dayanna de Oliveira Quintanilha

Médica no Hospital Naval Marcílio Dias ⦁ Residência em Clínica Médica na UFF ⦁ Graduação em Medicina pela UFF ⦁ Contato: dayquintan@hotmail.com

Referências:

Guía Cuidados Paliativos – Secpal. DIsponível em https://www.secpal.com/biblioteca_guia-cuidados-paliativos-1

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