Página Principal > CBMI 2018 > CBMI 2018: uso de protetor gástrico é realmente necessário?
CBMI 2018

CBMI 2018: uso de protetor gástrico é realmente necessário?

Tempo de leitura: 2 minutos.

Muito se discute acerca da indicação de prescrição diária de inibidor da bomba de prótons (IBP) para o paciente internado. O Dr Claudio Piras, durante sua palestra no CBMI 2018, destacou o efeito protetor realizado pela própria comida no estômago, não tendo a princípio indicação da prescrição indiscriminada destas drogas.

Para reforçar a necessidade de se racionalizar o uso dos “-prazóis”, é relacionada a lista de complicações a curto e longo prazo:

  • Osteoporose e fraturas;
  • Hipomagnesemia;
  • Infecções enterais;
  • Nefrites intersticiais;
  • Infarto;
  • Neuropatia isquêmica;
  • Deficiência de B12;
  • Demência.

Há, obviamente, algumas indicações de seu uso, como em pacientes vítimas de politrauma/TCE, grandes queimados, sépticos, em uso de drogas, dependentes de ventilação mecânica. Outra importante indicação de seu uso é em pacientes com hemorragia gastrointestinal.

Mesmo nessas situações em que há vários motivos para sua administração, o palestrante reforça que quando possível, deve-se manter o uso por apenas três dias. Caso as causas supracitadas se mantenham por mais tempo, a droga deve ser retirada com introdução do principal protetor gástrico, o alimento.

Leia mais: CBMI 2018: o que é Plasma Lyte, quais suas indicações e aplicações?

Um detalhe importante acerca do uso dos IBPs é quanto à sua prescrição. Deve-se deixar claro que não há diferença entre infusão em três ou 30 minutos quanto ao efeito esperado, na verdade há até o risco de parada cardíaca com rápida administração. O uso intermitente apresenta melhores resultados do que infusão contínua.

Até há alguns anos não havia diferença significativa entre o uso de antagonistas H2 e o IBP, exceto a menor mortalidade registrada nos pacientes com hemorragia digestiva, tendo em vista que estes não seriam capazes de manter pH gástrico estável. Porém, foi documentado em estudos recentes que antagonistas H2 oferecem proteção adequada com bom custo-benefício.

Conclui-se que o aumento exagerado do seu uso, as indicações banais, o uso prolongado sem necessidade; justificam o crescente aumento de custos, complicações e da morbimortalidade.

Confira mais publicações sobre a CBMI 2018:

É médico e também quer ser colunista do Portal da PEBMED? Inscreva-se aqui!

Autor:

Caroline Mafra de Carvalho Marques

Residente de Cirurgia Geral do Hospital Naval Marcílio Dias ⦁ Graduada em Medicina pela Universidade Federal Fluminense

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.



Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.