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CBMI 2018: saiba por que o excesso de oxigênio é prejudicial ao paciente

Tempo de leitura: 2 minutos.

Continuando com nossa série de publicações sobre o Congresso Brasileiro de Terapia Intensiva (CBMI 2018), falaremos agora sobre a palestra ministrada pelo Dr Anders Perner, que trouxe uma nova perspectiva a respeito do papel da oxigenoterapia na Terapia Intensiva. O palestrante começa a apresentação destacando que o oxigênio deve ser considerado como uma droga com efeitos benéficos, mas também malefícios.

Recentemente, postamos em nosso portal uma reportagem que já alertava sobre os efeitos maléficos da oxigenoterapia e a necessidade de se estabelecer limites no seu uso, com base no artigo publicado no The BMJ, que foi uma das primeiras referências citadas pelo palestrante. As três principais recomendações desta publicação são:

  • Pacientes gravemente doentes que necessitam de oxigenoterapia suplementar devem manter os níveis periféricos de saturação capilar de oxigênio (SpO2) de 96% ou menos (recomendação forte). Níveis mais altos têm sido associados a um risco elevado de mortalidade;
  • Especialistas sugerem não iniciar oxigênio suplementar se a saturação estiver entre 90-92% (recomendação fraca);
  • Não comece a oxigenioterapia se saturação maior que 93% (recomendação forte).

Por que o oxigênio pode ser tão maléfico?

Há três motivos principais:

  • aumento de formação de espécies reativas de oxigênio,
  • vasoconstricção hiperoxêmica (hipóxia tecidual paradoxal),
  • atelectasia de absorção.

Leia mais: Oxigênio hiperbárico é eficaz no tratamento da intoxicação por monóxido de carbono?

O palestrante concluiu ressaltando os efeitos maléficos do oxigênio e mostrando que não há dados suficientes (sem vieses) em ensaios clínicos randomizados para suportar metas específicas de oxigenação. Então como devemos proceder?

A orientação foi aguardar os ensaios Hot-ICU e ICU-ROX que podem contribuir para a discussão. Assim que os estudos saírem, postaremos as novidades aqui no Portal PEBMED.

Confira mais publicações sobre a CBMI 2018:

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Autor:

Dayanna de Oliveira Quintanilha

Médica no Hospital Naval Marcílio Dias ⦁ Residência em Clínica Médica na UFF ⦁ Graduação em Medicina pela UFF ⦁ Contato: dayquintan@hotmail.com

Referências:

  • Oxygen therapy for acutely ill medical patients: a clinical practice guideline. BMJ 2018; 363 doi: https://doi.org/10.1136/bmj.k4169 (Published 24 October 2018).

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