Cardiologia

ESC 2021: sintomas são importantes na decisão de controle de ritmo de pacientes com FA?

Tempo de leitura: 3 min.

Em 2020, estudo EAST-AFNET 4 foi publicado e comentado aqui. O racional era: será que controlar o ritmo dos pacientes com fibrilação atrial (FA) recentemente diagnosticada (menos de 1 ano) reduz o risco de complicações cardiovasculares secundárias à doença?

O que se viu foi que ocorreram menos eventos (morte por causas cardiovasculares, AVC isquêmico ou hemorrágico, internação por IC ou DAC aguda) no desfecho composto no braço intervenção (cardioversão química, elétrica ou ablação por radiofrequência), de forma estatisticamente significativa (HR 0,79 e p de 0,005) e que não houve diferença em mortalidade entre os grupos. Também não houve diferença no número de internações ou nas avaliações de qualidade de vida e função cognitiva. Nem mesmo nos desfechos de segurança.

Então quem acredita que o controle de ritmo mais agressivo e precoce seja a melhor alternativa de tratamento nesse perfil de pacientes teve a ideia reforçada, apesar de as diretrizes não recomendarem como rotina para pacientes assintomáticos (por conta dos achados do estudo AFFIRM, publicado em 2002).

Estudo EAST-AFNET

E agora uma nova análise retrospectiva pré-especificada do banco de dados do EAST tenta responder outra pergunta: será que os sintomas importam na decisão de controle de ritmo precoce?

E o que se viu foi que não. Quando analisado por sintomas, o banco de dados aponta que os 30% de pacientes assintomáticos no início do estudo tinham basicamente o mesmo perfil de risco de tromboembolismo, com um pouco mais de idade e menos pacientes do sexo feminino, menos eventos de AVC, DAC e IC prévios.

No entanto, ambos os grupos receberam estatisticamente o mesmo perfil de tratamento precoce, inclusive com ablação, e ao longo de 2 anos de seguimento as taxas de desfechos do estudo original se mantiveram entre os grupos.

Conclusões

Portanto, assim como os resultados do ATHENA e CASTLE-AF, essa nova análise aponta que devemos sempre avaliar cada paciente com uma perspectiva de tratamento mais agressivo e mais precoce do ritmo, mesmo em quem ainda não tem sintomas, já que o benefício a longo prazo parece ser maior com essa estratégia.

Estamos realizando a cobertura do congresso. Fique ligado no Portal PEBMED!

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Autor:

Referências bibliográficas:

  • Willems S, Borof K, Brandes A, Breithardt G, Camm AJ, Crijns HJGM, Eckardt L, Gessler N, Goette A, Haegeli L, Heidbuchel H, Kautzner J, NG A, Schnabel R, Suling A, Szumowski L, Themistoclakis S, Vardas P, van Gelder I, Wegscheider K, Kirchhof P. Systematic, early rhythm control strategy for atrial fibrillation in patients with or without symptoms: the EAST-AFNET 4 trial. European Heart Journal, 27 August 2021. doi: 10.1093/eurheartj/ehab593
  • Kirchhof P, Camm AJ, Goette A, Brandes A, Eckardt L, Elvan A, Fetsch T, van Gelder IC, Haase D, Haegeli LM, Hamann F, Heidbuchel H, Hindricks G, Kautzner J, Kuck KH, Mont L, Ng GA, Rekosz J, Schoen N, Schotten U, Suling A, Taggeselle J, Themistoclakis S, Vettorazzi E, Vardas P, Wegscheider K, Willems S, Crijns H, Breithardt G; EAST-AFNET 4 Trial Investigators. Early rhythm-control therapy in patients with atrial fibrillation. N Engl J Med 2020;383:1305–1316. DOI: 10.1056/NEJMoa2019422
  • Wyse DG, Waldo AL, DiMarco JP, Domanski MJ, Rosenberg Y, Schron EB, Kellen JC, Greene HL, Mickel MC, Dalquist JE, Corley SD; Atrial Fibrillation Follow-up Investigation of Rhythm Management (AFFIRM) Investigators. A comparison of rate control and rhythm control in patients with atrial fibrillation. N Engl J Med 2002 Dec 5;347:1825–1833. 33. doi: 10.1056/NEJMoa021328. PMID: 12466506.
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  • Marrouche NF, Brachmann J, Andresen D, Siebels J, Boersma L, Jordaens L, Merkely B, Pokushalov E, Sanders P, Proff J, Schunkert H, Christ H, Vogt J, Bansch D, Investigators C-A; CASTLE-AF Investigators. Catheter ablation for atrial fibrillation with heart failure. N Engl J Med 2018;378: 417–427.athe DOI: 10.1056/NEJMoa1707855
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Publicado por
Eraldo Ribeiro Ferreira Leão de Moraes

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