Cardiologia

ESC 2021: ressincronização cardíaca seguida de ablação do nó AV em pacientes com FA sintomática é uma boa opção?

Tempo de leitura: 3 min.

Sabemos que pacientes com fibrilação atrial (FA) permanente muito sintomáticos tem indicação de ablação do nó AV associada a implante de marca-passo como alternativa para controle dos sintomas e melhora da qualidade de vida. No entanto, essa estratégia falhou em demonstrar aumento da sobrevida desses pacientes. Um dos motivos seria a estimulação ventricular direita exclusiva, que levaria a uma dissincronia cardíaca deletéria a longo prazo, sobretudo em pacientes com QRS estreito antes das intervenções.

Um estudo chamado APAF-CRT, liderado por um grupo italiano, publicado no European Heart Journal e apresentado no congresso da European Society of Cardiology (ESC 2021), demonstrou agora que associar um dispositivo ressincronizador (com estimulação biventricular) poderia melhorar esses resultados.

Ressincronização cardíaca

O estudo multicêntrico, aberto, prospectivo, começou em 2014 e randomizou 140 pacientes com idade média de 72 anos, fração de ejeção média de 41%, todos com QRS < 110ms e pelo menos uma internação prévia por FA ou insuficiência cardíaca (IC). O braço intervenção programava uma ablação do nó AV com implante de ressincronizador e o braço controle recebia tratamento clínico otimizado e controle de frequência cardíaca. O desfecho primário era morte por qualquer causa e o secundário era morte por qualquer causa ou hospitalização por IC.

Apesar de uma amostra não tão grande e o tratamento clínico otimizado ter melhorado com as novas opções de tratamento clínico nos últimos anos, os resultados foram animadores: houve sim redução de mortalidade entre os grupos, com significância estatística, favorecendo o grupo intervenção (HR 0.26, 95% CI 0.10–0.65; P = 0.004). E isso se manteve quase inalterado ao cabo de um seguimento de 4 anos.

Conclusões

Então, agora sabemos que mesmo em FA, a ressincronização pode ser uma alternativa para controle de sintomas desses pacientes, aumentando não só a qualidade de vida, como também a sobrevida a longo prazo. Mas, devemos aguardar novos estudos para revisar essa estratégia promissora.

Estamos realizando a cobertura do congresso. Fique ligado no Portal PEBMED!

Veja mais do ESC 2021:

Autor:

Referência bibliográfica:

  • Brignole M, et al. for the APAF-CRT Trial Investigators. AV junction ablation and cardiac resynchronization for patients with permanent atrial fibrillation and narrow QRS: the APAF-CRT mortality trial, European Heart Journal, 2021;, ehab569, https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehab569
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Publicado por
Eraldo Ribeiro Ferreira Leão de Moraes

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