Página Principal > ABRAMEDE 2018 > Insuficiência Cardíaca na emergência: quando internar e dar alta? [ABRAMEDE 2018]
Vasopressina

Insuficiência Cardíaca na emergência: quando internar e dar alta? [ABRAMEDE 2018]

Tempo de leitura: 3 minutos.

As causas de insuficiência cardíaca (IC) no Brasil e nos Estados Unidos são diferentes. Aqui, há uma incidência maior de Chagas e doenças isquêmicas, e também maior mortalidade. A palestra “IC: quando internar e quando dar alta direto do departamento de emergência”, com participação de Glauber Gean de Vasconcelos, abordou diversos aspectos sobre a doença.

Risco de morte súbita na IC

Os pacientes com maior risco de morte súbita são justamente os que estão no domicílio, mesmo sendo classe funcional II. É também um paciente caro para o sistema de saúde, devido às reinternações constantes e prolongadas. Ou seja, um doente de alta morbidade, alta mortalidade e alto custo.

Qual é o perfil de atendimento de emergência da IC?

– 80% dos pacientes atendidos na emergência são internados
– 90-95% apresentam congestão à admissão, sendo que 60-70% destes são crônico agudizados, 50% poderiam ter alta em 24 horas e até 80% poderiam receber alta em 72 horas caso tenha sido feita a terapêutica adequada;
– 60% são de baixo risco prognóstico, e que podem ser liberados após otimização em até 24 horas;
– 40% têm disfunção orgânica associada à admissão;
– Apenas 4% se apresentam em choque cardiogênico.

Estratégia de atendimento da IC otimizado

A evolução da IC é dramática: 20% dos pacientes que internam e recebem alta retornam à emergência em 20 dias. O que fazer para reduzir a internação?

1. Estabelecer metas de controle da IC
2. Identificar a etiologia
3. Identificar fatores desencadeantes: infecção? Má aderência terapêutica?
4. Pesquisar comorbidades
5. Caracterizar o perfil hemodinâmico
6. Estratificar os pacientes e identificar os de alto risco
7. Fazer terapêutica precoce

A IC exige um envolvimento de todo o time da emergência, por isso, deve-se adotar um “time de resposta rápida”, a partir de um protocolo sistematizado com tratamento intensivo e metas terapêuticas claras. A adoção de time de IC na emergência comprovadamente reduz o tempo de internação e melhora os desfechos do doente.

Critérios para hospitalização imediata:

  • Edema visível: ascite, edema de membros inferiores (refletem o grau de congestão do paciente);
  • Adesão terapêutica;
  • Hipoxemia;
  • PAS < 75 mmHg;
  • Alteração mental atribuída a hipoperfusão.

Objetivos de tratamento:

  • Estabilização dos pacientes: oxigenação, tratamento da congestão, equilíbrio da hemodinâmica, disfunção de órgãos;
  • Estabilização da doença: prevenir a re-internação;
  • Prevenir progressão;
  • Antagonismo neuro-hormonal.

Tratamento estabelecido da IC

O tratamento da IC consiste em:

1) Dieta hipossódica;
2) Diuréticos em doses plenas (PAS < 110 não contraindica diurético, o médico deve avaliar o perfil);
3) IECA / BRA / inibidor da neprilisina;
4) Betabloqueador para todos (exceto intolerantes): suspender apenas no choque cardiogênico, reiniciando após resolução com metade da dose;
5) Poupador de potássio.

*Obs.: Sempre preferir medicação venosa. O paciente com IC descompensada tem edema de alça e não absorve bem medicação oral.

– Exames usuais: ECG, laboratório (função renal, eletrólitos, hemograma, BNP ou pró-BNP, ecocardiograma e radiografia de tórax).

Orientações de alta: o paciente deve procurar o médico assistente com 1 semana após a alta e realizar os exames laboratoriais.

Take-home message:

A abordagem da IC deve ser sistematizada com adoção de protocolos no serviço de emergência. Pacientes com risco baixo e intermediário podem ser tratados e receberem alta da emergência em até 72 horas, desde que atingidas as metas de tratamento intensivo.

MAIS DO CONGRESSO ABRAMEDE 2018

Insuficiência cardíaca:

Medicina Interna:

Lombalgia:

Sepse:

Trauma:

Cetoacidose diabética:

Síndrome coronariana aguda:

Asma grave:

A PEBMED ESTÁ NO ABRAMEDE 2018

Entre os dias 25 e 28 de setembro, a Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE) promove em Fortaleza (CE) a 6ª edição do maior Congresso de Medicina de Emergência Adulto e Pediátrico da América Latina. O evento conta com workshops, cursos e palestras com os maiores especialistas da área. A PEBMED está em Fortaleza e vamos publicar aqui no Portal com exclusividade as principais novidades do evento.

Autor:

Eduardo Cardoso de Moura

Graduação em Medicina pela UFF ⦁ Residência em Clínica Médica pela UFRJ ⦁ Diretor de Conteúdo e Co-fundador da PEBMED

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.



Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.