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médico avaliando eletrocardiograma de paciente que usou ômega 3

AHA 2020: Ômega 3 é capaz de reduzir risco de doenças cardiovasculares em pacientes de alto risco?

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O estudo STRENGHT, apresentado no congresso da American Heart Association (AHA 2020), investiga o uso de ômega 3 na prevenção de desfechos cardiovasculares. Já sabemos por outros estudos do papel benéfico do ômega 3 em altas doses no controle da hipertrigliceridemia. Mas será que ele é eficaz para reduzir riscos?

Ômega 3 e doenças cardiovasculares

O racional era: será que tomar ômega 3 (4 g por dia de EPA/DHA) reduz o risco cardiovascular dos pacientes de alto risco com hipertrigliceridemia?

De forma cética, podemos dizer que há uma tendência do leitor e do autor em acreditar que sim (viés de confirmação). Entretanto, não foi isso que o estudo apontou.

E o que foi considerado como desfecho primário? Um desfecho composto de morte cardiovascular, infarto não fatal, AVC não fatal, revascularização miocárdica ou hospitalização por angina instável.

Como foi feito?

Foram randomizados 13.078 pacientes em mais de 20 países, randomizados para ômega 3 ou óleo de milho, de forma duplamente cega, com um seguimento médio de cinco anos.

Para entrar, o sujeito tinha que apresentar doença aterosclerótica estabelecida (prevenção secundária) OU homens acima de 40 anos ou mulheres acima de 50 anos com diabetes e mais um fator de risco adicional OU homens acima de 50 anos e mulheres acima de 60 anos com alto risco cardiovascular por variáveis clínicas e laboratoriais. Mais de 50% dos sujeitos entraram pelo critério de prevenção secundária e 70% eram diabéticos.

Além disso, tinham que estar em uso de estatina por pelo menos quatro semanas, um valor de colesterol LDL abaixo de 100 mg/dL ou usando dose máxima de estatina e finalmente uma taxa de triglicérides entre 180 e 500 mg/dL. A média de triglicérides entre os participantes foi de 240 mg/dL.

Foram excluídos pacientes em uso de mais de 1 g de ômega 3 previamente à randomização OU pacientes que tiveram eventos reportados nos últimos 30 dias OU uso de fibratos OU uso de medicamentos auxiliares na redução de peso.

Vamos aos resultados

  • O estudo foi interrompido pelo comitê independente por não haver mais expectativa de resultado diferente no grupo intervenção;
  • Em um seguimento médio de 3,5 anos, 12,2% dos pacientes do grupo intervenção e 12% dos pacientes do grupo controle atingiram o desfecho primário ((HR, 0.99 [95% CI, 0.90-1.09]; P = .84). Não houve diferença estatisticamente significante entre os grupos Ômega 3 e óleo de milho em nenhum dos desfechos secundários;
  • Na avaliação de subgrupos, houve uma tendência de maior desenvolvimento de fibrilação atrial no grupo intervenção. Isso já havia ocorrido no REDUCE-IT trial;
  • Houve mais eventos adversos, principalmente gastrointestinais no grupo intervenção em relação ao grupo controle (24,7% e 14,7%, respectivamente).

Mensagem final

Estudo interrompido antes do tempo, com desfechos muito abrangentes, com mudança de protocolo após início de randomização, financiado pela indústria, com uma mistura fixa de EPA/DHA que não parece ser a melhor opção entres os compostos de ômega 3, principalmente em uma população de alto risco, já tomando estatinas em dose plena.

Apesar de resultados em outros cenários se mostrarem promissores, notamos que prescrever ômega 3 não é uma boa opção para essa prescrição junto ao arsenal terapêutico habitual, por não demonstrar benefício nessa população. A hipótese explorada persiste em aberto.

Acompanhe as novidades do AHA 2020 com a gente! Veja mais:

Autor:

Referência bibliográfica:

  • Nicholls SJ, Lincoff AM, Garcia M, et al. Effect of high-dose omega-3 fatty acids vs corn oil on major adverse cardiovascular events in patients at high cardiovascular risk: the STRENGTH randomized clinical trial. JAMA. Published online November 15, 2020 doi:10.1001/jama.2020.22258

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