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Podemos ampliar uso de assistência circulatória como terapia da IC? [ACC 2019]

Tempo de leitura: 3 minutos.

O uso de dispositivos de assistência circulatória em pacientes com insuficiência cardíaca (IC) avançada tem evoluído a cada geração, passando de uma estratégia exclusivamente de “ponte para transplante” para terapia de destino, visando aumentar a sobrevida e reduzir os sintomas. Entretanto, complicações como trombose do dispositivos, fenômenos embólicos e sangramentos são conhecidas limitações destes devices.

O estudo MOMENTUM 3 buscou investigar se a nova geração do dispositivo, o HeartMate 3, poderia ser superior, no que se refere à segurança e eficácia, à geração anterior, representada pelo HeartMate 2. A diferença básica destas gerações está em seu mecanismo de bombeamento:

Enquanto o HeartMate 2 utiliza uma espécie de turbina mecânica para gerar o fluxo, o HeartMate 3 utiliza uma tecnologia de indução magnética, que reduz significativamente o atrito, o estresse de cisalhamento e a estase do sangue – fatores provavelmente relacionados à indução de discrasias que levariam tanto a eventos hemorrágicos quanto trombóticos.

Resultados publicados previamente, mostravam, no seguimento de seis meses, que o novo dispositivo estava relacionado a menores taxas de trombose e falhas. Já no seguimento parcial de 2 anos, apresentado no ACC de 2018, os dados mostravam uma vantagem do HeartMate 3 no que se refere a sobrevida livre de AVE ou reoperação.

A presente análise apresenta o resultado do seguimento de 2 anos de toda a coorte, incluindo 1.028 pacientes. A Idade média foi de aproximadamente 59 anos, com predominância de pacientes do sexo masculino – cerca de 80%. As taxas de sobrevida livre de eventos (AVE incapacitante ou reoperação para substituir ou remover o dispositivo) foram de 76,9% no grupo HeartMate 3 e de 64,8% no grupo HeartMate 2, atingindo o critério de superioridade (RR 0,84; P<0,001). O principal desfecho secundário do estudo – substituição do dispositivo em 2 anos – ocorreu menos frequentemente com a nova geração do que com a anterior: 2,3% contra 11,3% (RR 0,21, P<0,001).

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No que se refere aos desfechos de segurança, houve uma diferença muito significativa nas taxas de trombose do dispositivo: 7 indivíduos (1,4%) no grupo HeartMate 3 contra 70 indivíduos (13,9%) no grupo HeartMate 2. As taxas de AVE e sangramentos (incluindo sangramento gastrointestinal) também foram significativamente menores com o novo device. Ocorreram 98 mortes no grupo da nova geração da bomba, contra 103 no da geração anterior, porém sem significância estatística na sobrevida geral. As causas mais frequentes de óbito foram insuficiência cardíaca direita, infecções e AVE.

Em resumo, a nova geração do dispositivo de assistência circulatória, HeartMate 3, mostrou resultados significativamente melhores que sua geração anterior, confirmando que esse tipo de tratamento pode ser cada vez mais considerado como terapia de destino para pacientes com insuficiência cardíaca avançada, especialmente quando se leva em conta as limitações das indicações do transplante cardíaco e disponibilidade de órgãos.

ACC 2019: cobertura PEBMED

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